Câmara de Niterói ignora repúdio de Arquidiocese, OAB e evangélicos e banca desfile polêmico

Jefferson Lemos
“Quando um grupo religioso é retratado como caricatura pejorativa em rede nacional, estamos diante de intolerância. E intolerância não pode ser relativizada”, declarou Allan Lyra (Divulgação)

A Câmara Municipal de Niterói rejeitou nesta semana, por 10 votos a 6, a moção de repúdio contra a Acadêmicos de Niterói, acusada de intolerância religiosa no Carnaval. A proposta, apresentada pelo vereador Allan Lyra (PL), apontava que a ala “Neoconservadores em conserva” caricaturou de forma depreciativa cristãos e famílias tradicionais.

Enquanto os vereadores enterravam a moção, a Arquidiocese do Rio de Janeiro, a OAB e lideranças evangélicas já haviam se manifestado contra o desfile, classificando-o como intolerância religiosa. O Ministério Público do Rio de Janeiro também abriu investigação para apurar possível discriminação religiosa, mostrando que a polêmica não se restringe ao campo político.

“Quando um grupo religioso é retratado como caricatura pejorativa em rede nacional, estamos diante de intolerância. E intolerância não pode ser relativizada”, declarou Allan Lyra, ao defender o repúdio em plenário.

Patrocínio oficial e jogo político

O detalhe incômodo: a prefeitura de Niterói patrocinou o desfile da Acadêmicos de Niterói. O prefeito Rodrigo Neves (PDT), aliado de Lula, conta com a maior bancada no Legislativo — justamente a que garantiu a derrota da moção. Ou seja, não foi apenas uma decisão artística, mas também uma vitória política da base governista.

Liberdade artística ou intolerância?

Para os críticos, a caricatura foi explícita e ofensiva. Para a maioria dos vereadores, tudo não passou de “licença poética”. No meio disso, a fé de milhões de brasileiros virou enredo de Carnaval, e a Câmara decidiu que não havia nada a repudiar.

Resumo da ópera: a Acadêmicos desfilou, a Arquidiocese e a OAB protestaram, o Ministério Público investiga, mas a Câmara — com a força da base do prefeito aliado de Lula — preferiu aplaudir em silêncio. Carnaval, afinal, também é política.

Confira a votação

Votaram a favor da moção de repúdio Allan Lyra (PL), Daniel Marques (PL), Fernanda Louback (PL), Michel Saad (Podemos), Leandro Portugal (MDB) e Pastor Maurício (Republicanos).

Já os votos contrários foram de Binho Guimarães (PDT), Professor Tulio (PSOL), Anderson Pipico (PT), Junior Morett (PSD), Sylvio Mauricio (PT), Emanuel Rocha (União), Leonardo Giordano (PCdoB), Boinha (PDT), Beto da Pipa (MDB) e Romério Duarte (Cidadania).

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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