Governo tenta conter greve dos caminhoneiros com fiscalização do frete, mas diesel segue em alta

Jefferson Lemos
Na semana passada, o governo zerou tributos e prometeu redução de até R$ 0,64 por litro do diesel. No dia seguinte, a Petrobras anunciou aumento de R$ 0,38 (Marcelo Camargo/EBC)

Depois de prometer uma redução no preço do diesel que evaporou em menos de 24 horas, o governo Lula resolveu mirar em outro alvo: as empresas que pagam abaixo da tabela de frete. A estratégia é vender a ideia de que está “protegendo os caminhoneiros” e evitar uma paralisação nacional. Só que, no detalhe, o problema central — o combustível cada vez mais caro — continua sem solução.

O pacote de medidas

O Ministério dos Transportes e a ANTT anunciaram reforço na fiscalização do frete mínimo, uso ampliado de ferramentas digitais como o Ciot (Código Identificador da Operação de Transporte) e punições mais duras para empresas reincidentes.

Nos últimos meses, gigantes como MBRF, Vibra, Raízen, Ambev e Cargill já foram autuadas. Em valores, destacam-se também Motz Transportes, Transágil, Unilever e Spaul Indústria de Bebidas.

Diesel: a conta que não fecha

Na semana passada, o governo zerou tributos e prometeu redução de até R$ 0,64 por litro. No dia seguinte, a Petrobras anunciou aumento de R$ 0,38, acompanhando a alta internacional do petróleo, pressionado pela crise no Oriente Médio.

Resultado: o caminhoneiro continua pagando mais caro para rodar, e a promessa de alívio virou fumaça.

Caminhoneiros em alerta

A categoria intensificou articulações para uma paralisação nacional. Assembleias em estados como São Paulo, Paraná e Goiás já deram aval para a greve.

O ministro Renan Filho tentou acalmar os ânimos: “Quem move o país são os caminhoneiros”, apelou.

O problema real

Fiscalizar frete é importante, mas não resolve o dilema básico: frete justo não enche tanque vazio. Sem uma política eficaz para segurar o preço do diesel, o risco de paralisação continua real.

Em outras palavras, o governo fez o dever de casa burocrático, mas deixou a conta do combustível sem resposta.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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