Mês das Mulheres: Alerj celebra força feminina nas arquibancadas

Jefferson Lemos
Representantes de Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Madureira, Bangu e Maricá dividiram o plenário com lideranças de entidades ligadas ao futebol e à defesa das mulheres (Thiago Lontra/Alerj)

No mês dedicado às mulheres, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) transformou o Plenário do Edifício Lúcio Costa em palco de reconhecimento e emoção. Nesta terça-feira (17), 25 torcedoras de clubes cariocas receberam Moções de Aplausos, em iniciativa proposta pela deputada Zeidan (PT), que destacou a resistência e a presença feminina em um espaço historicamente marcado pela predominância masculina: as torcidas organizadas.

Representantes de Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Madureira, Bangu e Maricá dividiram o plenário com lideranças de entidades ligadas ao futebol e à defesa das mulheres, como Carolina Félix (Secretaria de Estado da Mulher), Catarina Farias (PT), Raquel Oliveira (Observatório do Futebol/Uerj), Giovana Leite (Anatorg) e Carla Ambrósio (Movimento Feminino de Arquibancada).

Zeidan ressaltou que a homenagem é também um chamado à luta por mais respeito e políticas públicas voltadas à segurança nos estádios.

“Sabemos o quanto ainda é difícil ser mulher na arquibancada. Por isso essa homenagem é tão relevante. Vamos solicitar avanços como a criação da cartilha ‘O que é ser mulher na arquibancada’ e a inclusão dos dados de violência contra mulheres nos relatórios do Observatório do Feminicídio”, afirmou.

Carolina Félix emocionou ao lembrar sua trajetória no futebol e a importância de ocupar os espaços das torcidas: “Por muitos anos, fomos proibidas de usar nossas fardas, como chamamos as camisas das organizadas. A torcida não é só o que mostram de errado. É também alegria, paixão e tradição. Minha avó me apresentou o Flamengo, minha tia me levou ao estádio. Vamos defender o respeito às mulheres, ocupando nosso espaço.”

Homenagem histórica

A cerimônia também resgatou a memória de Dulce Rosalina, pioneira que em 1956 rompeu barreiras ao assumir a liderança da Torcida Organizada do Vasco (TOV), tornando-se a primeira mulher a comandar uma organizada no Brasil. Dulce introduziu elementos que se tornaram símbolos das arquibancadas, como baterias e papel picado. Em sua homenagem póstuma, duas amigas que seguem à frente da TOV representaram sua trajetória, reforçando que a presença feminina nas torcidas é tão antiga quanto essencial.

Com aplausos e emoção, a Alerj reafirmou: o futebol é também território das mulheres, e suas vozes ecoam cada vez mais fortes nas arquibancadas do Rio.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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