O clima esquentou de vez na Câmara do Rio. O vereador Poubel (PL) partiu para o ataque nesta quinta-feira (7) e lançou um pacote de projetos para frear o que chamou de covardia e “humilhação pública” contra ambulantes. A principal aposta: obrigar agentes da Seop a usarem câmeras no uniforme para registrar — e expor — abordagens nas ruas.
O discurso veio carregado de indignação e frases que incendiaram o plenário:
“É covardia! A Seop humilha ambulante, joga mercadoria em caixote, derrama café, destrói tudo. O trabalhador não pode ser tratado como bandido.”
E foi além, mirando diretamente a gestão municipal:
“Vamos acabar com essas sacanagens contra o trabalhador. Fica o meu repúdio ao que foi deixado nessa cidade. Não tratem mais trabalhador como vagabundo.”
Câmeras no peito e ‘freio’ na porrada
O pacote apresentado inclui duas frentes:
– Um projeto que cria uma política de mediação de conflitos, priorizando diálogo antes de repressão;
– Outro que incentiva o uso de câmeras corporais por agentes da Seop para registrar todas as ações nas ruas.
A ideia é dupla: reduzir abusos e também proteger os próprios agentes contra acusações. As propostas falam em abordagem “humanizada”, respeito ao trabalhador e registro das operações para evitar confrontos .
Alerj entra na briga e discurso explode
A polêmica atravessou a cidade e chegou à Assembleia Legislativa. Lá, o deputado Filippe Poubel (PL) elevou ainda mais o tom — e não poupou ninguém.
“Já passou do limite. É perseguição ao trabalhador. Os caras estão ali tentando sustentar a família e vêm com essa covardia.”
Ele descreveu cenas que chocaram até parlamentares:
“Eles pegam os bolos, jogam numa vasilha, derramam café em cima, amassam tudo. E o menino chorando. Isso é desumano.”
E fez o ataque mais duro:
“Quero ver ter essa coragem para enfrentar traficante. Não têm. Mas quando é trabalhador, são valentes. Quando pegam bandido, viram gatinhos.”
‘Trabalhar virou crime?’
O deputado ainda lançou uma pergunta que virou o centro do debate:
“O que vai acontecer? A pessoa não pode trabalhar no Rio de Janeiro?”
Pressão política e debate nas ruas
Com vídeos circulando nas redes e discursos inflamados nos plenários, o tema explodiu: de um lado, a prefeitura fala em ordem urbana; do outro, cresce a acusação de abuso e perseguição contra quem vive do comércio informal.
Agora, com os projetos na mesa e a pressão aumentando, a pergunta que fica é direta — e incômoda:
fiscalização ou perseguição?
