Novas imagens divulgadas nesta semana mostram o instante em que caminhões e uma motocicleta são arremessados no vazio durante o colapso da Ponte Juscelino Kubitschek, que ligava Tocantins ao Maranhão. O acidente, ocorrido em 22 de dezembro de 2024, deixou 14 mortos, três desaparecidos e um ferido.
Os registros revelam que o tráfego seguia normalmente até que o vão central da estrutura começou a ceder. Em segundos, a pista afundou e veículos foram lançados ao rio, em uma cena de desespero que agora ganha contornos ainda mais dramáticos com a divulgação dos vídeos.
Estrutura antiga e negligenciada
Construída em 1960, a ponte acumulava denúncias de problemas estruturais ao longo dos anos. A última grande reforma havia ocorrido entre 1998 e 2000. Um laudo da Polícia Federal concluiu que o colapso foi provocado pela deformação do vão central, causada pelo excesso de peso dos veículos que trafegavam no momento da tragédia.
Vozes de indignação
A repercussão foi imediata e trouxe cobranças por responsabilização. Uma advogada que acompanha o caso criticou duramente a falta de manutenção e fiscalização:
“Uma tragédia que poderia ter sido evitada se houvesse cuidado, manutenção, fiscalização e responsabilidade. Que a memória desse dia nos lembre que vidas não podem ser tratadas com descaso, silêncio e irresponsabilidade. Respeito e indenização já.”
Indenizações sem prazo definido
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que as indenizações estão sendo discutidas na Justiça, envolvendo ações de vítimas, órgãos públicos e entidades civis. Estão em análise reparações por danos materiais, morais, lucros cessantes e impactos ambientais. Apesar das negociações, não há previsão para pagamento, que dependerá do andamento dos processos e poderá ocorrer por meio de precatórios ou RPVs.
Reconstrução e memória
Após o desabamento, os destroços foram implodidos em fevereiro de 2025. A nova ponte, erguida na BR-226, foi inaugurada exatamente um ano depois, em 22 de dezembro de 2025, restabelecendo a ligação entre Estreito (MA) e Aguiarnópolis (TO).
O caso, porém, segue na Justiça e é considerado complexo, com múltiplas ações e pedidos de indenização. As imagens agora reveladas reforçam a dimensão da tragédia e a urgência de responsabilização, em um episódio que expôs falhas históricas de manutenção e fiscalização em uma das principais ligações rodoviárias da região.
