Silvio Almeida denuncia perseguição política e eleitoral em caso de importunação sexual

Jefferson Lemos
Foto - Reprodução/Redes Sociais

O ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, rompeu o silêncio e afirmou ser alvo de uma “estratégia política” para eliminá-lo da vida pública. Em sua primeira manifestação após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) por importunação sexual contra a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, Almeida declarou:

“Há quem não tenha nenhuma realização para mostrar, nenhuma proposta para oferecer e que, por isso, chega ao ponto de incriminar uma pessoa inocente apenas para eliminar aquele que considera adversário ou para erguer sobre uma mentira uma bandeira eleitoral”, disse, sem citar nomes.

A denúncia, assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi apresentada em 4 de março e tramita sob sigilo no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça. Almeida nega todas as acusações e diz que apresentará sua versão “no lugar certo, na Justiça”.

Defesa e críticas

No vídeo divulgado nas redes sociais, o ex-ministro explicou que permaneceu em silêncio por respeito à família e ao andamento sigiloso das investigações. Ele acusou setores políticos de distorcerem a pauta da defesa das mulheres para prejudicá-lo:

“Uma causa tão importante foi usada para me tirar da política. Uma mentira circulou como se fosse verdade”.

Almeida também criticou a forma como foi afastado do governo Lula, após o presidente considerar “insustentável” sua permanência. Segundo ele, o episódio expôs o peso do racismo estrutural:

“A forma violenta e injusta com que eu fui retirado da vida pública também se apoiou em uma outra realidade que merece igual atenção: a situação dos homens negros numa sociedade que frequentemente nos associa à brutalidade e ao descontrole”.

O caso

As denúncias vieram a público em 2024. Em novembro, a Polícia Federal indiciou Almeida por importunação sexual em inquérito que apura relatos de diferentes mulheres, incluindo Anielle Franco. A ministra relatou que, em reunião oficial em maio de 2023, o ex-ministro teria colocado a mão em suas pernas por baixo da mesa, diante de outras autoridades.

Além disso, a organização Me Too Brasil informou ter recebido relatos de outras mulheres contra Almeida, oferecendo acolhimento psicológico e jurídico às denunciantes. O ex-ministro rebateu, dizendo que “a entidade não mostrou provas”.

Situação atual

O processo segue em análise no STF, sem previsão de julgamento público devido ao sigilo. Enquanto isso, Silvio Almeida tenta reconstruir sua imagem política, sustentando que é vítima de perseguição e reafirmando sua inocência.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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