A morte de Emanoelle Farias e de seu filho Francisco Antunes, de apenas 9 anos, atropelados por um ônibus na Rua Conde de Bonfim, Tijuca, no fim de março, expôs a falta de infraestrutura cicloviária no Rio. A família foi atingida após ser fechada por um carro enquanto usava uma bicicleta elétrica. O acidente gerou comoção e pressão pública, mas também levantou uma questão incômoda: se a Prefeitura tinha condições de iniciar obras imediatamente e concluir em três meses, por que não agiu antes da tragédia?
Obras iniciadas às pressas
Poucos dias após o acidente, a Prefeitura anunciou a construção de três novas ciclovias, com início neste domingo (12):
– Rua Conde de Bonfim (Tijuca), no ponto exato do acidente fatal.
– Rua Muniz Barreto (Botafogo).
– Rua Augusto Severo (Glória–Cinelândia).
O prazo para conclusão é de 90 dias, podendo se estender em caso de chuvas. O investimento faz parte de um plano de mobilidade sustentável de R$ 20 milhões, que prevê 50 km de novas rotas até 2028.
Regras endurecidas após pressão
Em resposta ao acidente, o prefeito Eduardo Cavaliere também anunciou um decreto que endurece normas para bicicletas elétricas e ciclomotores:
– Proibição de circulação em vias com limite acima de 60 km/h.
– Exigência de emplacamento e habilitação em alguns casos.
– Fiscalização educativa já em curso na Tijuca e em Copacabana.
A pergunta que não cala
Se era possível planejar, licitar e iniciar obras em questão de dias, com prazo de apenas três meses para conclusão, por que esperar a morte de uma mãe e seu filho para agir? A ciclovia na Conde de Bonfim será entregue, mas marcada para sempre pela lembrança de uma tragédia que poderia ter sido evitada.
