Saneamento reescreve a história da Maré

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Pelas mãos de quem vive o território, o saneamento deixa de ser apenas obra e se torna o cuidado real com a saúde de toda a comunidade (Divulgação/Águas do Rio)

Na Maré, a rotina de 200 mil moradores das 16 comunidades que formam o maior conjunto de favelas do Rio começa a mudar por uma infraestrutura há muito aguardada.

Historicamente, a paisagem local foi marcada por esgoto a céu aberto que expõe a população a doenças e mau cheiro. Essa realidade começa a se transformar com o trabalho da Águas do Rio, empresa do grupo Aegea, que está implantando novas redes de esgoto.

A obra prevê a instalação de 18 quilômetros de redes, conectando cerca de 60 mil imóveis a uma estrutura capaz de coletar e direcionar o esgoto para tratamento na Estação de Tratamento de Esgoto Alegria, no Caju, Zona Portuária da cidade. O coletor de 4,5 quilômetros de extensão, com 1,5 metro de diâmetro, começa a ser construído na Maré. Para viabilizar a obra em uma área densamente ocupada, será adotado o método de perfuração usando equipamentos conhecidos como “tatuzinhos”, que permitem escavações subterrâneas sem a abertura de grandes valas e reduzem impactos na circulação e na rotina dos moradores.

Ao final da obra, 1,3 bilhão de litros de esgoto, o equivalente a cerca de 520 piscinas olímpicas, vão deixar de poluir a Baía de Guanabara todos os meses. Ao mesmo tempo em que as obras de esgotamento sanitário avançam, as equipes da concessionária seguem regularizando os imóveis a redes seguras de água. Todo o projeto de saneamento básico na Maré prevê um investimento de R$120 milhões ao longo de dois anos.

O valor de quem conhece o território

A execução das obras também foca no impacto socioeconômico imediato por meio da contratação de mão de obra local, integrando moradores das comunidades diretamente nas frentes de trabalho. É o caso de Jonas Afonso, que faz parte das equipes da Águas do Rio que estão implantando redes de esgoto em cada ruela e beco da Maré.

“Vejo o meu emprego como uma oportunidade de fazer diferença no lugar onde eu moro. Lembro que na minha infância a questão da saúde era complicada, muita gente à minha volta tinha diarreia e febre por causa da água”, explica Jonas. “Hoje, sinto que estou trabalhando para mudar isso. Mesmo onde a obra ainda está acontecendo, já vejo o resultado imediato, impedindo que o esgoto transborde na rua como antes.”

Essa proximidade com o território é reforçada por iniciativas como o projeto Afluentes, que mantém diálogo constante com lideranças comunitárias, e o programa Saúde Nota 10, voltado para a educação ambiental. Este último levará atividades sobre o ciclo da água e o tratamento de resíduos para as 54 escolas da região, visando conscientizar as futuras gerações.

O objetivo é que a infraestrutura técnica seja acompanhada por um ganho real em saúde pública, reduzindo a incidência de doenças de veiculação hídrica que historicamente sobrecarregam o sistema de saúde.

Da invisibilidade à agenda nacional

O início das obras no Conjunto de Favelas da Maré marca a entrada do território na agenda de universalização do saneamento, objetivo central do novo Marco Legal do Saneamento Básico. Sancionada em 2020, a legislação estabelece metas ambiciosas para o país: 99% de cobertura de água potável e 90% de coleta e tratamento de esgoto até 2033.

As diretrizes foram pensadas para um país que se vê realidade da Maré, onde cerca de 100 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso à coleta e ao tratamento de esgoto e outros 33 milhões não têm água tratada na torneira.

A viabilização dessas melhorias após tantos anos de espera passa pela agilidade do modelo de gestão atual e pelo aporte financeiro do setor privado. O projeto da Maré integra um movimento nacional de ampliação da participação privada no saneamento, com aceleração de obras estruturantes e aumento expressivo dos investimentos.

No Rio de Janeiro, esse esforço já se traduz em números concretos. Desde novembro de 2021, a Águas do Rio já investiu R$5,5 bilhões em infraestrutura de saneamento, com previsão de alcançar R$19 bilhões até 2033, sendo R$2,7 bilhões voltados especificamente para a proteção da Baía de Guanabara.

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