JOVEM SUMIU DAS URNAS? Queda de 20% no número de adolescentes aptos a votar expõe freio na mobilização e recuo estratégico da esquerda

Jefferson Lemos

O que aconteceu com o “exército jovem” das eleições de 2022? Aquele movimento que levou mais de 2,5 milhões de adolescentes às urnas simplesmente perdeu força. Dados preliminares do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram um tombo de mais de 20% no interesse dos jovens em votar neste ciclo eleitoral.

A explicação oficial fala em burocracia: fim do processo 100% digital e exigência de biometria presencial. Mas essa versão não conta toda a história — e, nos bastidores, o clima é outro.

O perfil político da juventude mudou — e isso embaralhou o jogo. Pesquisa da Friedrich Ebert Stiftung revela que 82% dos jovens brasileiros hoje se concentram entre o centro e a direita, enquanto só 18% se identificam com a esquerda. Traduzindo: o eleitor que antes era alvo preferencial virou território hostil.

E aí vem o ponto que poucos estão dizendo em voz alta: sumiram as campanhas massivas para incentivar o voto jovem. Cadê os famosos? Cadê os mutirões? Cadê a pressão nas redes? Até figuras como Leonardo DiCaprio, que já puxaram essa mobilização global, desapareceram do debate brasileiro.

Para analistas, não é coincidência — é cálculo. Um “desencanto estratégico” de setores progressistas que, diante de uma juventude mais conservadora, preferem não inflar um eleitorado que pode votar contra.

Enquanto isso, cresce um outro fenômeno: a desconfiança geral. Mais da metade dos jovens não confia em partidos políticos. O entusiasmo que nasceu nos protestos de 2013 foi esmagado pela pandemia e substituído por ceticismo. O jovem até se interessa por política — mas não compra mais o pacote institucional.

O resultado é explosivo: menos mobilização, menos voto e mais distância entre juventude e poder. E o recado é claro — quando o jovem muda, a política recalcula.

A pergunta que fica é incômoda: a queda no interesse é apatia… ou alguém decidiu parar de chamar?

Compartilhe Este Artigo
Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *