Em um resultado raro e politicamente explosivo, o Senado Federal rejeitou nesta quarta-feira (29) a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. A derrota imposta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva marca a primeira rejeição de um indicado à Corte em mais de 130 anos.
Votação expõe fragilidade política
Em votação secreta, Messias recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários — abaixo dos 41 necessários para aprovação. O placar consolidou um revés significativo para o Palácio do Planalto, mesmo após intensa articulação de ministros e aliados ao longo do dia.
A ausência de quatro senadores e a falta de engajamento público do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foram apontadas como determinantes para o desfecho. Considerado peça-chave nos bastidores, Alcolumbre evitou assumir apoio explícito à indicação, aprofundando o isolamento político do governo.
Disputa política nos bastidores
O movimento expôs um racha entre Lula e a cúpula do Senado. Alcolumbre defendia o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga aberta com a saída de Luís Roberto Barroso, e a escolha de Messias, feita sem consulta prévia, gerou atritos e resistência entre parlamentares.
A rejeição rompe uma tradição histórica: desde a Proclamação da República, o Senado raramente barra indicações ao STF — os últimos casos haviam ocorrido em 1894.
Sabatina longa e temas sensíveis
A análise do nome de Messias foi marcada por uma sabatina de cerca de oito horas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde acabou aprovado por 16 votos a 11. No plenário, porém, o cenário se inverteu.
Durante a sabatina, o advogado-geral da União defendeu maior transparência no Judiciário, criticou a duração do inquérito das fake news — conduzido por Alexandre de Moraes — e afirmou ser contra o aborto, ressalvando os limites previstos em lei.
Também justificou sua atuação nos pedidos de prisão após os atos de Ataques de 8 de janeiro de 2023, alegando cumprimento do dever constitucional na defesa do patrimônio público.
Quem é o indicado rejeitado
Atual chefe da Advocacia-Geral da União desde 2023, Jorge Messias é procurador da Fazenda Nacional e teve passagens pela Casa Civil em governos petistas. Ficou nacionalmente conhecido como “Bessias” após citação em áudios divulgados durante a Operação Lava Jato.
E agora?
Com a rejeição, Lula terá de indicar um novo nome para o STF, sem prazo definido. Apesar da pressão política, a tendência é que Rodrigo Pacheco não seja escolhido, já que o presidente pretende mantê-lo como peça estratégica em Minas Gerais para 2026.
O episódio representa não apenas uma derrota institucional inédita, mas também um sinal claro de dificuldades na articulação política do governo dentro do Senado.
