O rombo nas contas públicas brasileiras atingiu um novo patamar crítico. O déficit nominal anualizado chegou a R$ 1,218 trilhão no acumulado de 12 meses até março, o maior já registrado desde o início da série histórica, em 2002. Os dados, divulgados pelo Banco Central, mostram uma deterioração contínua e acelerada das finanças públicas.
O resultado negativo já ultrapassa a marca de R$ 1 trilhão há sete meses consecutivos e acumula nove meses seguidos de alta. O avanço do déficit é impulsionado principalmente pelo peso crescente dos juros da dívida, que bateram recorde e alcançaram R$ 1,080 trilhão no período — reflexo direto do nível ainda elevado da taxa básica de juros, a Selic, mesmo após recente redução.
Além disso, o resultado primário — que desconsidera os juros — também piorou significativamente. O saldo negativo saltou para R$ 137,1 bilhões em 12 meses, evidenciando que o governo segue gastando mais do que arrecada. Só em março, o rombo primário foi de R$ 80,7 bilhões, puxado majoritariamente pelo governo central, enquanto estados, municípios e estatais também contribuíram para o resultado negativo.
Na prática, o cenário escancara uma combinação preocupante: despesas elevadas, arrecadação insuficiente e custo da dívida em alta. O resultado nominal, que engloba todos esses fatores, mostra o impacto total sobre o endividamento do país — e indica que, no fim das contas, a conta segue crescendo e recaindo sobre a economia como um todo, afetando emprego e renda e pesando cada vez mais no bolso da população.
