Povo dentro: lei reserva 70% da área vip para CadÚnico e Bolsa Família em shows com dinheiro público

Jefferson Lemos
Foto - Marcos de Paula / Prefeitura do Rio

A farra VIP no show da cantora Shakira, em Copacabana, explodiu — e já virou pauta política. Dizendo-se evoltado com a divisão entre elite e multidão, o vereador Poubel (PL) anunciou um projeto de lei para obrigar a prefeitura do Rio a reservar 70% dos camarotes e áreas VIPs para o povo em eventos patrocinados com dinheiro público.

A proposta mira direto no coração da polêmica: inverter a lógica dos privilégios. “É contraditório ver autoridades e convidados com a melhor visão enquanto o povo fica espremido”, disparou. Pela regra, a elite sai e entram inscritos no CadÚnico, beneficiários do Bolsa Família e trabalhadores. “Se o recurso é público, a prioridade tem que ser o social”, reforçou.

Sem rodeios, Poubel cravou nas redes: “Do cercado pra dentro, a prioridade agora é de quem sempre esteve do lado de fora”. E foi além: “Quando a prefeitura usa o seu dinheiro para bancar shows milionários, a pergunta é simples: alegria pra quem?”. A fala caiu como gasolina em meio à indignação popular.

Shakira em Copa: Festa para VIP com dinheiro do povo | Coisas da Politica

O estopim foi o próprio show de Shakira: R$ 20 milhões de dinheiro público, cerca de 2 milhões de pessoas na areia e um cercado VIP luxuoso para poucos. Um “muro” simbólico separou quem pagou a conta de quem teve acesso ao espetáculo — com direito a estruturas que ainda bloquearam a visão da maioria.

Poubel elevou o tom e transformou a proposta em bandeira: “Ocupar um camarote é sobre inclusão, visibilidade e dignidade. O dinheiro do povo deve servir ao povo”. Se avançar, o projeto pode redesenhar os grandes eventos do Rio — e acabar com a era dos VIPs bancados pelo contribuinte.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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