Zema dispara contra ‘impunidade’ e ‘máquina travada’: ‘o Brasil não anda’

Jefferson Lemos
Foto - Divulgação

Em passagem pela Associação Comercial do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (7), o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato ao Planalto, Romeu Zema, fez um discurso direto ao ponto — e com alvo claro: o que chamou de burocracia sufocante e sensação de impunidade no país. Diante de empresários, Zema defendeu uma guinada de “mentalidade empresarial” no governo federal e disse que o Brasil está travado por regras que impedem obras, investimentos e avanços estruturais.

O tom subiu quando o assunto foi licenciamento ambiental e entraves legais. Para Zema, o excesso de exigências virou um freio ao desenvolvimento. “Dá para conciliar meio ambiente com desenvolvimento econômico. Se tem um besouro lá, tira ele e continua a obra”, afirmou, ao citar o impasse do rodoanel de Belo Horizonte, que, segundo ele, segue emperrado por disputas ambientais e burocráticas. Na visão do pré-candidato, projetos desse porte deveriam ser tratados como prioridade nacional. “Uma obra que vai salvar vidas não consegue sair do papel. O interesse de milhões precisa prevalecer”, disparou.

Zema também mirou na legislação ultrapassada e reforçou o discurso de endurecimento na segurança pública. “A polícia prende e o Judiciário solta”, criticou, ao apontar o que considera um ciclo de impunidade. Ele defendeu medidas mais rígidas, como prisão automática para quem rompe tornozeleira eletrônica e regras mais duras contra reincidentes. Além disso, sugeriu classificar facções criminosas como organizações terroristas — proposta que deve acirrar o debate jurídico e político.

Na economia, o alerta foi em tom de urgência. Zema falou em risco iminente e acusou o governo federal de gastar sem controle. “Estamos indo para o precipício fiscal”, disse. Como saída, defendeu reforma administrativa, revisão de programas sociais e privatizações, além de um Estado menos intervencionista. “O setor privado não precisa de ajuda. Precisa que o governo não atrapalhe”, afirmou.

O pré-candidato ainda entrou em terreno polêmico ao comentar críticas sobre trabalho infantil. Reafirmou que começou a trabalhar cedo e associou isso à formação de disciplina. Disse que pretende ampliar o programa Jovem Aprendiz, destacando que milhares de municípios ainda não oferecem vagas. A fala reacende um debate sensível, em meio à legislação que proíbe o trabalho antes dos 16 anos, salvo na condição de aprendiz a partir dos 14.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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