Mais de 100 presos que receberam o benefício da “saidinha” do Dia das Mães no Rio de Janeiro não retornaram ao sistema prisional, ampliando o clima de insegurança e reacendendo o debate sobre o benefício. Dos 1.560 detentos liberados, 117 descumpriram a ordem judicial e agora são considerados foragidos.
Embora defensores da medida ressaltem que a maioria retorna, o número absoluto de evasões chama atenção: são mais de cem pessoas fora das grades após um benefício concedido pelo Estado. Na prática, críticos apontam que isso pressiona a segurança pública e expõe a população a riscos evitáveis.
O prazo para retorno terminou na quinta-feira (14), e a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) iniciou a operação para recapturar os detentos, mobilizando desnecessariamente efetivos e recursos financeiros. A saída temporária, prevista em lei, depende de autorização da Justiça e do cumprimento de critérios específicos — mas nem todos respeitam as regras.
O episódio também teve forte repercussão política. Antes mesmo da “saidinha”, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, criticou a liberação em suas redes sociais. “Enquanto a mãe trabalhadora tranca o portão com medo, o sistema abre a cadeia e manda criminoso pra rua”, declarou.
Entre argumentos legais e críticas públicas, o caso reforça um ponto central no debate: mesmo quando a taxa de retorno é alta, o volume de presos que não voltam levanta dúvidas sobre os impactos reais da medida — especialmente quando envolve segurança e o risco direto à população.
“Chega de sociólogo, assistente social e antropólogo dando opinião e decidindo pela segurança pública. Eles podem contribuir, mas hoje eles estão decidindo. Eu quero que decida quem está na linha de frente, quem já levou tiro”, afirmou Zema.
