ORAR VIROU CRIME? culto vira alvo do MP — e nova lei promete reação nas universidades

Jefferson Lemos
Foto - Reprodução/Redes Sociais

ORAR VIROU CRIME? culto vira alvo do MP — e nova lei promete reação nas universidades

Em meio a cultos cristãos que passam a ser alvo de denúncia no Ministério Público, um contraste chama atenção nas universidades brasileiras: enquanto reuniões de oração são investigadas, manifestações com teor político e até violento seguem expostas sem reação institucional — cenário que agora pressiona o Congresso, onde o Projeto de Lei 2.559/26, do deputado Raimundo Santos (PSD-PA), tenta garantir esse direito e evitar novos episódios.

A proposta assegura explicitamente a realização de cultos em escolas e universidades, com participação voluntária, igualdade entre crenças e uso de espaços mediante comunicação prévia, além de prever punições para instituições que criarem obstáculos indevidos. A ideia é dar segurança jurídica em meio a conflitos recentes sobre liberdade religiosa no ambiente acadêmico.

Um dos casos mais emblemáticos envolve a missão “Aviva Universitário”, denunciada após realizar um culto voluntário na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O líder do grupo, Lucas Teodoro, afirma ter sido intimado pelo Ministério Público Federal por reunir estudantes para orar — sem estrutura, sem som e com adesão espontânea. “Nós fomos denunciados simplesmente porque fizemos um culto voluntário dentro de uma universidade pública”, afirmou. Ele ainda relata o tom da acusação: “Nos chamaram de organização criminosa”.

No mesmo ambiente, porém, outras manifestações circulam livremente. Um cartaz de festa universitária exibe nomes como Charlie Kirk, Donald Trump e o deputado Nikolas Ferreira posicionados sob a mira de uma arma — o que, para críticos, evidencia uma inversão de valores. “Quando realizamos um culto voluntário somos tratados como criminosos. Agora rir e desejar a morte de alguém parece que já não é mais crime”, criticou Lucas.

Diante desse cenário, o projeto reacende o debate sobre os limites da liberdade dentro das universidades. Baseado no artigo 5º da Constituição, o texto reforça que o Estado é laico, mas não pode impedir manifestações de fé — e levanta a pergunta que agora ganha força: há liberdade de expressão para todos ou apenas para alguns?

 

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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