A CPI do Banco Master vai sair — mas não do jeito que alguns imaginavam. A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) já dá sinais claros de que pretende instalar a comissão por vontade da maioria dos deputados, mas sem abrir espaço para uso político ou palanque eleitoral.
A tentativa do deputado Flávio Serafini (PSOL) de forçar a criação imediata da CPI pela Justiça levou um freio nesta terça-feira (26). O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) negou o pedido de liminar que queria obrigar a presidência da Casa a publicar o requerimento na marra.
Na decisão, assinada pelo desembargador Cherubin Helcias Schwartz Junior, ficou claro o recado: há regras a serem seguidas. O Regimento Interno limita a sete o número de CPIs funcionando ao mesmo tempo — e ainda existe dúvida sobre quantas estão realmente ativas ou pendentes. Resultado: nada de atropelo.
Nos bastidores, porém, o jogo virou. A CPI não morreu — mudou de mãos. A bancada do PL entrou de vez na articulação e quer assumir o controle da comissão, com apoio direto do presidente da Alerj, Douglas Ruas. A estratégia é simples: instalar a CPI com base na força política da maioria, e não por imposição judicial.
O novo requerimento já teria cerca de 30 assinaturas, número suficiente para garantir a abertura da comissão. E quem aparece na linha de frente é o deputado Anderson Moraes (PL), primeiro signatário do pedido e cotado para presidir a CPI.
Nos corredores da Alerj, o discurso é direto: a investigação vai acontecer, mas dentro das regras e sem espetáculo. A ordem é evitar que a CPI vire palco eleitoral e manter o foco no que interessa — apurar, de fato, os investimentos de órgãos públicos no Banco Master.
