Enquanto a Prefeitura do Rio aperta o cerco contra bicicletas elétricas e patinetes, com decreto, limite de velocidade e promessa de fiscalização, a própria cidade resolveu frear no ponto mais básico da mobilidade: a ciclovia.
O Diário Oficial da última sexta-feira (5) trouxe a suspensão sine die do Pregão Eletrônico nº 90274/2026, da SECONSERVA que é comandada por Didi Vaz, que previa R$ 34.4 milhões para revitalização de pavimentação e implantação de rota cicloviária ligando a Zona Norte e a região da Grande Tijuca ao Alto da Boa Vista.
No idioma pomposo da repartição, a suspensão é sine die. No idioma do ciclista que passa pela cratera rezando baixo, a ciclovia foi com Deus.
O contraste é uma obra de arte do urbanismo carioca. No discurso, a cidade quer ordenar os chamados autopropelidos, como bicicletas elétricas e patinetes, com regra de circulação, limite de velocidade e cara de manual europeu. Por decreto, o carioca precisa andar devagar, cumprir regra e respeitar limite.
Ou seja: regra para andar tem. Rota específica, por enquanto, não. É a gestão versão Instagram indo contra a realidade do asfalto.
No fim, o recado ao ciclista carioca é quase uma orientação de sobrevivência: respeite o limite, ande devagar, use capacete e reze para não cair em uma cratera na Estrada das Furnas.

