Mais de R$ 310 milhões depois, a promessa de solução virou dor de cabeça — e agora, mais gasto público. A Transoceânica, principal corredor viário que liga a Região Oceânica ao resto de Niterói, voltou ao centro da polêmica após a Prefeitura contratar, por R$ 340 mil e sem licitação, um estudo para resolver problemas que já deveriam ter sido previstos… antes da obra sair do papel.
A contratação, publicada no Diário Oficial de 4 de junho, acendeu o alerta na Câmara. O vereador Daniel Marques (PL) anunciou que vai levar o caso ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas, além de cobrar explicações formais da Prefeitura na Comissão de Urbanismo, Trânsito e Mobilidade.
Na prática, a via até melhorou o tempo de deslocamento entre Cafubá e Charitas, mas está longe de cumprir o que prometeu. Nos horários de pico e nos fins de semana, o cenário é o de sempre: trânsito pesado, gargalos nos acessos e lentidão na ligação com o Centro e a Zona Sul, um verdadeiro caos.
E o que a Prefeitura faz? Decide contratar um novo projeto justamente para melhorar o transporte de ônibus na própria Transoceânica.
“Esse estudo tinha que ter sido feito antes da obra, não depois. Estão colocando mais dinheiro em um problema que já deveria estar resolvido”, disparou o vereador.
Em video postado em seu Instagram, Marques também relembrou o histórico polêmico da obra, que já teve apontamentos de superfaturamento por órgãos de controle. Segundo ele, mais de R$ 70 milhões já foram questionados, com devolução de dinheiro.
O vereador subiu o tom: “É mais um capítulo da série de terror chamada Transoceânica. Depois de mais de R$ 310 milhões investidos, a prefeitura agora quer gastar mais R$ 340 mil em um projeto básico. Que solução é essa que não foi pensada antes? Para o niteroiense, isso soa como um verdadeiro tapa na cara e mostra uma falha grave de planejamento ou execução”.
O caso reacende o debate sobre planejamento e uso do dinheiro público em uma das obras mais caras da história de Niterói — e levanta uma pergunta direta: como uma solução que custou milhões ainda precisa de um novo estudo para funcionar?

