A fala de Alícia Denardi, de 15 anos, emocionou senadores durante audiência pública realizada nesta quinta-feira (11) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. Filha de Adauto e Ieda Denardi, casal de Jales (SP) condenado a 50 dias de detenção em regime semiaberto por optar pela educação domiciliar das filhas, a jovem transformou um drama familiar em símbolo nacional da disputa entre direita e esquerda sobre o direito dos pais de escolher como educar seus filhos em meio a um quadro de ensino público falido.
O debate ocorreu um dia após o avanço da pauta no Congresso. Na véspera, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou o projeto que descriminaliza o ensino domiciliar, o PL 3262/2019, de autoria das deputadas Chris Tonietto, Bia Kicis e Caroline de Toni. A proposta deixa claro que pais que optarem pelo homeschooling não poderão ser enquadrados no crime de abandono intelectual apenas por educarem os filhos em casa.
Em um dos momentos mais emocionantes da audiência, Alícia fez um apelo para que os pais não precisem cumprir pena:
“Esse é o único modo da gente continuar junto, sem eles terem que dormir durante cinquenta dias com bandidos… aqueles que matam os inocentes, que estupram mulheres, que fazem tantas atrocidades.”
A adolescente também comparou a situação brasileira com a realidade dos Estados Unidos:
“Enquanto os Estados Unidos dão bolsas de estudo para homeschoolers, o Brasil persegue quem quer dar uma educação com letra maiúscula para os seus filhos.”
E encerrou sob aplausos:
“O homeschooling é imparável.”
O senador Eduardo Girão saiu em defesa da família e atacou a decisão judicial:
“Um juiz, agindo como um verdadeiro ativista, condenou criminalmente um casal de pais. Ignorou que essas crianças liam mais de 30 livros por ano e falavam outros idiomas.”
A deputada Caroline de Toni, autora do projeto, afirmou:
“O que a gente quer é o respeito às famílias e ao direito de escolha das famílias. É óbvio que a esquerda vai ser contra, porque eles não querem que isso seja aprovado porque seria uma alternativa à mentalidade esquerdista imperante no sistema de ensino brasileiro”, argumentou.
A deputada Bia Kicis, também autora, acrescentou:
“Estamos garantindo aos pais que optam por cuidar da educação dos filhos em casa que finalmente possam respirar aliviados porque não serão mais perseguidos.”
Do outro lado, parlamentares da esquerda tentaram desqualificar o discurso. O deputado Rui Falcão criticou:
“Nós vamos promover um liberou geral.”
Já a deputada Fernanda Melchionna afirmou:
“Vocês querem o direito de ensinar para os filhos que a Terra é plana.”
O embate acontece em meio a indicadores preocupantes da educação brasileira. Dados oficiais do PISA 2022 mostram que os estudantes brasileiros ficaram abaixo da média da OCDE em matemática, leitura e ciências. Cerca de 74% dos alunos brasileiros não atingiram o nível básico em matemática, enquanto mais da metade ficou abaixo do patamar mínimo esperado em leitura e ciências.
