O governo Lula vende como vitória a criação de mais de 4 milhões de empregos formais entre 2023 e 2025. O número é grande, chama atenção e rende manchete. Mas, por trás do discurso, os dados do Novo Caged contam outra história — bem menos bonita. O Brasil até gera vagas, mas está empobrecendo quem trabalha.
A conta não fecha. Quase 5 milhões de empregos surgiram na faixa de até 1,5 salário mínimo. Só que, acima disso, o cenário é de destruição: menos 113 mil vagas entre 1,5 e 2 salários, um rombo de 336 mil entre 2 e 3 salários e perdas também nas rendas mais altas. Traduzindo: o país cria emprego de entrada enquanto elimina justamente os postos que sustentam a classe média.
O movimento é claro e cruel. Com juros altos e impostos pesando no caixa, empresas estão enxugando a folha: demitem supervisores, técnicos e analistas e contratam mão de obra mais barata. O emprego “melhor” some ou vira PJ, bico ou contrato precário — fora do radar oficial.
O resultado é um freio brutal na mobilidade social. O velho caminho de subir na vida com carteira assinada está sendo desmontado. Sem vagas intermediárias, o trabalhador entra no mercado… e fica preso nele, sem conseguir avançar.
No fim, o Brasil pode até comemorar números recordes. Mas é um recorde perigoso: mais gente empregada, ganhando menos e sem perspectiva. É o pleno emprego da sobrevivência — e o enterro silencioso da classe média.
