O Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro suspendeu em caráter liminar o pregão do programa Asfalto Liso da Prefeitura do Rio após suspeitas sobre a qualificação técnica do consórcio vencedor. Em jogo, um contrato de mais de R$ 272 milhões — e um alerta que o carioca conhece bem: pagar caro por um asfalto que pode não durar.
A decisão, publicada no Diário Oficial desta segunda (22), mira uma exigência central do edital da Seconserva: experiência com asfalto polímero, mais resistente e durável. O problema é que há indícios de que o histórico apresentado pela empresa aponta para uso de asfalto convencional, mais básico.
Na prática, mesmo que o material correto seja aplicado, uma eventual falta de capacidade técnica pode comprometer o resultado final. E o roteiro é conhecido nas ruas: vida útil mais curta, buracos reaparecendo em pouco tempo e novo gasto público para refazer o que já foi pago.
A contestação partiu da Associação das Empresas de Engenharia do Rio (AEERJ), que questiona as Certidões de Acervo Técnico usadas pelo consórcio. Segundo a entidade, documentos ligados a contratos no Pará indicam uso de CBUQ convencional (CAP 50/70), e não asfalto polímero, como exigido.
Diante do risco, o tribunal decidiu travar o processo antes da assinatura do contrato. A lógica é simples: melhor segurar agora do que assistir depois a uma obra milionária se deteriorando — e a conta voltando, mais uma vez, para o contribuinte. A prefeitura foi procurada mas não se manifestou até o momento. O espaço segue aberto para o pronunciamento oficial.

