O governo Lula sofreu uma derrota política que deve custar caro. Sem acordo entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a sessão do Congresso desta quinta-feira (9) foi cancelada. Na prática, o recado foi claro: as principais propostas defendidas pelo governo, como a PEC da Segurança Pública e a PEC que acaba com a escala 6×1, ficaram na gaveta e só devem voltar à pauta depois das eleições.
O impasse escancara o enfraquecimento da articulação política do Planalto no Senado. Com o Congresso entrando em recesso na próxima semana e a campanha eleitoral começando em agosto, deputados e senadores devem realizar apenas votações pontuais, deixando de lado projetos considerados estratégicos para o governo.
Além da PEC da Segurança e da proposta que extingue a jornada 6×1, também ficam congelados a regulamentação da exploração de terras raras, o projeto que prevê o uso de receitas extras do petróleo para reduzir impostos sobre combustíveis e a indicação do novo ministro do STF que substituirá Luís Roberto Barroso, após a rejeição de Jorge Messias.
Nos bastidores, parlamentares apontam que a pauta travou por causa do rompimento entre Lula e Davi Alcolumbre. A relação entre os dois desandou após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias ao Supremo. Desde então, as tentativas de reaproximação fracassaram, deixando o governo sem força para avançar suas prioridades no Congresso.
Agora, a expectativa é de que uma reunião entre Lula e Alcolumbre ainda aconteça em julho. Mas, na prática, o calendário eleitoral já venceu a política: as bandeiras mais importantes do governo ficaram para depois das urnas.
