Números do IBGE desmentem discurso oficial: entenda por que a desigualdade social aumenta no Brasil
Ganhar R$ 3.590 por mês já é suficiente para colocar um brasileiro entre os 10% mais ricos do país. O número parece absurdo — e, de certa forma, é. Em muitos países, esse valor sequer alcança o salário mínimo. No Brasil, porém, ele já coloca uma pessoa no topo da distribuição de renda, escancarando o tamanho da pobreza nacional.
E é justamente aí que os números do IBGE desmontam o discurso oficial de que o aumento da renda dos mais pobres estaria reduzindo a desigualdade. Embora a renda da base da pirâmide tenha crescido, quem registrou ganho acima da média nacional em 2025 foram os 10% mais ricos.
A aparente contradição tem explicação. O crescimento da renda dos mais pobres costuma ser apresentado em percentuais. Mas quem vive com R$ 150, R$ 200 ou R$ 300 por mês pode registrar uma alta expressiva após ganhar poucos reais a mais. Estatisticamente, o avanço parece grande. Na prática, a pessoa continua pobre.
Já para quem recebe milhares de reais, um aumento percentual menor representa muito mais dinheiro no bolso. É por isso que, mesmo com ganhos proporcionais relevantes entre os mais pobres, a distância para os mais ricos cresce.
O próprio IBGE aponta que os 10% mais ricos tiveram crescimento de renda acima da média nacional em 2025, movimento que influenciou os indicadores de desigualdade. Esse grupo passou a concentrar 40,3% de toda a renda gerada no país, enquanto os 70% dos brasileiros com menores rendimentos dividiram apenas 32,8% do total.
Na outra ponta da pirâmide, a realidade continua dramática. Os 5% mais pobres sobreviveram, em média, com apenas R$ 166 por pessoa ao mês. Entre os 10% mais pobres, a renda média foi de R$ 268, e cerca de um quinto da população brasileira vive com menos de R$ 600 mensais por pessoa.
O reflexo aparece em outro indicador divulgado pelo instituto: em 2025, os 10% mais ricos passaram a ganhar, em média, 13,8 vezes mais do que os 40% mais pobres. Em 2024, essa diferença era de 13,2 vezes, evidenciando que a distância entre o topo e a base da sociedade aumentou.
Em outras palavras, os dados mostram que aumentar a renda de quem ganha muito pouco não basta para reduzir a desigualdade. É essa diferença entre o discurso e os números que a pesquisa do IBGE expõe.
