A Amazônia virou um dos maiores campos de batalha do crime organizado no Brasil. Um relatório divulgado nesta quinta-feira (16) pelo Instituto Igarapé e dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que o Comando Vermelho (CV), o Primeiro Comando da Capital (PCC) e outras mais de 30 facções criminosas ampliaram sua presença na região e já atuam em cerca de 45% dos municípios da Amazônia Legal.
O avanço vai muito além do tráfico de drogas. Segundo o estudo, as organizações criminosas transformaram a floresta em uma gigantesca economia ilegal, unindo narcotráfico, garimpo clandestino, extração ilegal de madeira, grilagem de terras e lavagem de dinheiro em um único sistema de negócios.
Na prática, as facções passaram a controlar rios, cobrar taxas de garimpeiros, decidir quem entra ou sai de áreas disputadas e usar a riqueza retirada da floresta para financiar ainda mais o tráfico internacional de cocaína.
O relatório mostra que os rios amazônicos se tornaram verdadeiras “rodovias do crime”. A proximidade com Peru, Colômbia e Bolívia — os maiores produtores de cocaína do mundo — transformou a região em um corredor estratégico para abastecer mercados na Europa e na África.
Enquanto isso, quem mora na Amazônia paga a conta. O estudo aponta que cerca de 60% da população da Amazônia Legal vive em áreas sob forte influência ou controle de pelo menos um grupo armado. Povos indígenas e comunidades ribeirinhas estão entre os mais afetados, sofrendo invasões, aliciamento de jovens, violência armada e contaminação dos rios pelo mercúrio usado no garimpo ilegal.
Para os especialistas, operações policiais isoladas já não são suficientes para conter o avanço das facções. O relatório defende que o combate precisa atingir o dinheiro das organizações criminosas, com ações de inteligência financeira, repressão à lavagem de dinheiro e cooperação entre os países que dividem a Amazônia.
O alerta reforça que a disputa pelo controle da floresta deixou de ser apenas uma questão ambiental e se tornou um dos maiores desafios de segurança pública do país. Hoje, PCC, CV e dezenas de outras facções não brigam apenas pela droga: disputam ouro, madeira, terras e o domínio de uma das regiões mais estratégicas do planeta.
