‘Cortou, tem que levar’: ‘golpe do doce’ revolta clientes

coisasdapolitica.com
Foto - Reprodução/Redes Sociais

Quem entrou no estande pensando em adoçar o passeio na Expocrato, no interior do Ceará, descobriu, na hora de pagar, que o verdadeiro ingrediente surpresa era o preço.

Teve consumidor que desembolsou mais de R$ 330 por algumas fatias de doce. Outros pagaram R$ 177, R$ 137 e R$ 117. E, segundo diversos relatos, quando tentaram desistir da compra após ver a conta, ouviram a resposta que virou símbolo da polêmica: “Você cortou, agora tem que levar.”

O caso explodiu nas redes sociais e acabou chamando a atenção do Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon), que foi até o local e confirmou irregularidades na forma de comercialização dos produtos.

A receita era simples: o cliente via apenas uma plaquinha informando R$ 19,90 a cada 100 gramas, apontava “no olho” o tamanho da fatia e só descobria quanto iria pagar quando o doce já estava na balança. Era quase uma raspadinha: você só descobria o tamanho do prejuízo no final.

Foto – Reprodução/Redes Sociais

E foi justamente isso que o Decon classificou como prática abusiva.

Segundo o órgão, faltavam informações claras sobre peso e tamanho das porções, impedindo o consumidor de saber quanto realmente gastaria antes de autorizar o corte. Para o promotor de Justiça Thiago Marques, quem vende por peso tem obrigação de dar uma referência visual ao cliente. Sem isso, a escolha deixa de ser consciente e passa a ser um tiro no escuro.

Outro ponto que chamou a atenção foi o constrangimento relatado por diversos consumidores. Há quem diga que, ao tentar desistir da compra depois do susto com o preço, foi pressionado a levar o produto. Alguns contam que ouviram até sugestões para parcelar a sobremesa no cartão.

A doceria nega qualquer irregularidade. A empresa afirma que sempre informa o preço por 100 gramas, diz que o cliente escolhe livremente o tamanho da fatia e sustenta que, depois de cortado, o doce não pode ser devolvido por orientação da Vigilância Sanitária.

Mesmo assim, a repercussão foi tão grande que, após a fiscalização, o estande encerrou as atividades antes do fim da Expocrato, alegando ter recebido ameaças.

Se o doce era para deixar a vida mais doce, para muita gente o que ficou foi o gosto amargo da conta.

Compartilhe Este Artigo
Para enviar sugestões de pautas ou comunicar algum erro no texto, encaminhe uma mensagem para a nossa equipe pelo e-mail: contato@coisasdapolitica.com
Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *