O PSB oficializou nesta quarta-feira (29), em Brasília, a candidatura de Geraldo Alckmin à reeleição como vice na chapa do presidente Lula. Mas o momento que roubou a cena foi o discurso do presidente, que fez um elogio enfático ao companheiro de chapa e mandou um recado político ao destacar a lealdade do vice.
“Com o Alckmin eu durmo tranquilo. Nunca vou pensar que vou acordar e ter um golpe no dia seguinte”, afirmou o presidente.
A declaração foi interpretada como uma referência direta ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, quando o então vice Michel Temer rompeu com o governo e assumiu o comando do país após o afastamento da petista.
O elogio ganha ainda mais peso pelo histórico de Lula e Alckmin. Durante décadas, os dois estiveram em lados opostos da política nacional. Alckmin foi um dos principais opositores do petista, disputou a Presidência da República contra Lula em 2006 e passou anos como uma das principais lideranças do PSDB, partido que fez oposição aos governos do PT. Hoje, porém, o ex-tucano é apontado por Lula como símbolo de lealdade e confiança dentro do Palácio do Planalto.
Lula foi além e classificou Alckmin como um homem de “muita lealdade, capacidade de trabalho e honestidade”, afirmando que o vice é a garantia de estabilidade que qualquer presidente gostaria de ter.
A convenção também confirmou oficialmente o apoio do PSB à tentativa de reeleição de Lula, reforçando a aliança que reúne ainda as federações PT-PCdoB-PV e PSOL-Rede, além do PDT.
Em seu discurso, Alckmin agradeceu a confiança e afirmou que disputar um novo mandato ao lado de Lula aumenta sua responsabilidade.
“Aumentou a minha responsabilidade para estar à altura da confiança de vocês, à altura da responsabilidade para estar junto ao presidente Lula. Fico honrado por esta caminhada cívica que vamos ter pela frente”, declarou.
O vice também aproveitou para criticar o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que a atual gestão recebeu um país em situação difícil quando assumiu em 2023.
A manutenção da chapa reforça uma das alianças mais improváveis da política brasileira. Agora, apostam novamente na parceria para tentar permanecer no Palácio do Planalto por mais quatro anos.
