O crime organizado pode ganhar uma nova fonte de informação para escolher suas vítimas: os dados dos pórticos do Free Flow. O alerta é de Rony Neri, diretor-executivo da Platform Science na América Latina, em artigo publicado na CNN Brasil.
A treta é simples: o carro ou caminhão passa sem parar, mas não passa invisível. Os pórticos registram dados como placa, veículo, localização e horário. Cruzadas, essas informações podem revelar rotas, horários de entrega e padrões de deslocamento de cargas.
Segundo o 2025 Global Cargo Theft Report, da BSI Consulting e do TT Club, 22% dos roubos de carga no mundo já têm relação com vazamento de informações ou participação interna.
Ou seja, para o motorista, é comodidade. Para o criminoso, se houver vazamento ou acesso indevido, pode virar um verdadeiro “mapa” de oportunidades.
E não é só a carga que entra nessa conta. O sistema também amplia a rastreabilidade dos deslocamentos: cada passagem deixa uma pegada digital que pode ajudar a reconstruir por onde um veículo passou e em quais horários. A privacidade, portanto, também entra na mira.
O risco vai além do vazamento. Ataques ou adulterações podem comprometer dados de telemetria e o monitoramento das frotas. E a superfície de ataque envolve pórticos, sensores, câmeras, aplicativos, servidores, APIs e empresas terceirizadas.
O Free Flow promete acabar com filas e modernizar as rodovias. Mas existe uma conta que não aparece na cancela. Porque o pedágio pode ser invisível, mas os veículos deixam rastros.
