Rastreamento de celulares pode ganhar novas regras

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Foto - IA

A possibilidade de ter o celular rastreado por autoridades durante uma investigação pode ganhar limites mais rígidos. Um projeto apresentado na Câmara dos Deputados estabelece regras para o acesso a dados de geolocalização e determina que nenhuma consulta poderá ser feita sem autorização da Justiça.

A proposta, do deputado Jonas Donizette (PSB-SP), surge em meio ao avanço do uso da tecnologia nas investigações e ao debate sobre até onde o Estado pode ir sem invadir a privacidade dos cidadãos. Hoje, apesar de a ferramenta já ser usada em diversos casos, não existe uma lei específica regulamentando esse tipo de rastreamento.

Pelo texto, policiais e o Ministério Público só poderão solicitar os dados quando houver indícios de um crime com pena de reclusão e quando a medida for considerada realmente necessária para esclarecer o caso. A decisão ficará nas mãos de um juiz.

Um dos pontos mais sensíveis da proposta trata da chamada “busca reversa”, técnica que permite descobrir quais celulares passaram por um determinado local e horário, como a cena de um crime. Na prática, isso pode incluir dados de dezenas ou até centenas de pessoas que não têm qualquer relação com a investigação.

Para evitar uma verdadeira devassa na vida de inocentes, o projeto cria um filtro. Primeiro, as operadoras fornecerão apenas códigos técnicos dos aparelhos. A identificação dos donos desses celulares só poderá ocorrer depois que a autoridade demonstrar, com critérios objetivos, quais dispositivos realmente têm ligação com o crime e obtiver nova autorização judicial.

O projeto também proíbe que a autorização seja usada como porta de entrada para acessar mensagens, fotos, vídeos, documentos ou qualquer outro conteúdo armazenado no celular. A permissão ficará restrita apenas aos registros de localização.

Outra exigência é que todas as informações obtidas permaneçam sob sigilo e sejam usadas exclusivamente na investigação que motivou a quebra dos dados. Registros sem utilidade para o caso deverão ser destruídos, e o descarte precisará ser documentado oficialmente.

Quem compartilhar, divulgar ou utilizar essas informações de forma irregular poderá responder nas esferas penal, civil e administrativa.

Na justificativa, Jonas Donizette afirma que o objetivo é preencher uma lacuna na legislação brasileira, criando regras que permitam o uso da tecnologia no combate ao crime sem abrir espaço para abusos e invasões indevidas da privacidade.

O projeto ainda começará a ser analisado pelas comissões da Câmara antes de seguir para votação.

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