O presidente nacional do PSD e candidato a vice na chapa de Ronaldo Caiado, Gilberto Kassab, afirmou em encontro reservado com empresários, em São Paulo, que o Centrão não está neutro na eleição de 2026 e, segundo ele, estaria mais próximo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Kassab também fez críticas à possível candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), ao dizer: “A chance do Flávio se eleger é zero. Não tem a menor chance”. Para ele, o senador seria poupado de ataques mais duros pelo PT por ser um adversário mais fácil de derrotar em um eventual segundo turno contra Lula. “O Flávio vai desabar [nas pesquisas] na hora que o PT começar a mostrar as pessoas que estão no entorno dele”, afirmou.
A declaração intensifica a disputa no campo da centro-direita, onde Caiado e Kassab tentam se consolidar como alternativa, enquanto Flávio busca herdar o eleitorado bolsonarista.
Kassab aposta no “tempo de TV”
O dirigente do PSD também afirmou que pesquisas internas indicariam desempenho de Caiado superior ao apontado por institutos públicos. Outro trunfo, segundo ele, seria o tempo de propaganda eleitoral: com MDB, União Brasil, Progressistas e Republicanos sem candidatura própria à Presidência, a redistribuição do horário de TV e rádio poderia ampliar a exposição de Caiado.
A estimativa do partido é que o tempo inicial de cerca de 50 segundos possa ultrapassar dois minutos — fator considerado decisivo em uma eleição presidencial.
Possíveis nomes para um governo Caiado
Kassab ainda citou nomes que poderiam integrar um eventual governo de Caiado, como Roberto Azevêdo (ex-diretor-geral da OMC), Lincoln Gakiya (procurador paulista ligado ao combate ao crime organizado), Armínio Fraga (ex-presidente do Banco Central) e Guilherme Afif (secretário de Projetos Estratégicos do governo de São Paulo).
A fala reforça a estratégia do PSD de posicionar Caiado como alternativa competitiva entre Lula e o campo bolsonarista. O partido oficializou sua candidatura em julho, com Kassab como vice.
No cenário eleitoral, o recado foi direto: o Centrão pode até parecer indeciso, mas, na avaliação de Kassab, já escolheu um lado — e ele diz saber qual é.
