‘Agora eu existo’: comprovante de residência chega a moradores após regularização da água

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Após mais de 4 décadas na Maré, comerciante da Maré passou a ter um comprovante de residência em seu próprio nome (Divulgação/Águas do Rio)

Investimentos da Águas do Rio levam cidadania e serviços básicos a comunidades

 Há mais de 40 anos, Gustavo Sales, conhecido como Mohamed, vive na Nova Holanda, no Conjunto de Favelas da Maré. Ao longo da vida, trabalhou na cozinha, distribuiu jornais e foi funcionário em um comércio até conseguir abrir o próprio negócio. Atualmente, tem uma loja na comunidade, onde trabalha com conserto de celulares.

“Minha loja representa minha vitória. Representa, nos momentos de fraqueza, a lembrança de que eu não tinha nada e hoje tenho alguma coisa. Cheguei até aqui com força de vontade. Minha loja representa para mim que tudo é possível.”

Desde que iniciou sua atuação na Maré, a Águas do Rio, empresa do grupo Aegea, vem realizando obras para melhorar o abastecimento de água e o esgotamento sanitário na região. Com a regularização do serviço, Gustavo passou a receber, pela primeira vez, uma conta de água em seu próprio nome.

Símbolo de reconhecimento

Em comunidades onde os moradores não têm serviços básicos regularizados ou endereço formal, uma das formas de comprovar o endereço é recorrer à associação de moradores. O morador solicita uma declaração de residência que pode ser usada para comprovar onde vive.

Mas não são todos os locais que aceitam essa comprovação. Ao tentar abrir uma conta em um banco, a documentação de Gustavo foi recusada e ele precisou recorrer à irmã para apresentar outro comprovante. “Tive que falar com a minha irmã. Foi um estresse.”

Foi só após a regularização do abastecimento que o comerciante passou a receber uma conta de água em seu nome. Para ele, a chegada da Águas do Rio foi muito mais do que receber os serviços de esgotamento sanitário e abastecimento de água.

“Agora eu existo. Eu tenho hoje um comprovante de residência, mas não é um comprovante qualquer. É uma conta de um serviço básico. Isso indica que eu tenho uma casa, que eu tenho um endereço no meu nome. Isso é gratificante. Além disso, se faltar água aqui, eu posso ligar e exigir meus direitos.”

A conta também passou a ter um significado quando Gustavo sai da comunidade.

“Quando eu vou ao banco ou a qualquer lugar e apresento uma conta de água paga, independentemente do valor, isso gera outro impacto. ‘Esse cara mora na favela e paga a água dele’. Isso muda a visão de quem tá lá fora sobre quem tá aqui dentro.”

Após mais de 4 décadas na Maré, comerciante passou a ter um comprovante de residência em seu próprio nome (Divulgação/Águas do Rio)

Investimentos na Maré

A história de Gustavo acompanha as transformações que estão acontecendo na comunidade. Até o fim de 2027, a Águas do Rio investirá R$ 120 milhões em obras de abastecimento de água e esgotamento sanitário nas 16 comunidades do Conjunto de Favelas da Maré, beneficiando cerca de 200 mil moradores.

No abastecimento, o projeto contempla mais de 2 quilômetros de novas redes de água, a regularização de aproximadamente 60 mil imóveis, instalação de hidrômetros e a setorização do sistema. A operação é acompanhada pelo Centro de Operações Integradas (COI), permitindo respostas mais rápidas durante manutenções.

Segundo Bruno Sales, gerente-executivo da Águas do Rio, histórias como a do comerciante mostram como os impactos do saneamento vão além da infraestrutura.

“Quando ouvimos um morador dizer ‘agora eu existo’, entendemos que o nosso trabalho vai muito além de levar água tratada. A regularização do abastecimento representa acesso a direitos, cidadania e mais qualidade de vida. Nosso compromisso é seguir ampliando esse impacto positivo na vida das famílias da Maré.”

Além das melhorias no abastecimento, as intervenções incluem a implantação de 4,5 quilômetros de tronco-coletor e 18 quilômetros de redes secundárias de esgoto. A estrutura permitirá encaminhar cerca de 1,3 bilhão de litros de esgoto por mês para tratamento na ETE Alegria, no Caju, evitando que esse volume chegue à Baía de Guanabara.

Para Gustavo, a principal transformação pode ser resumida em algo simples: ter água regularmente em casa e poder comprovar, no próprio nome, o endereço onde vive.

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