O candidato ao Governo do Rio, Eduardo Paes, subiu o tom contra o grupo político que comandou o Estado nos últimos anos e colocou a segurança pública no centro de sua campanha. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira (18), Paes classificou o Rio como um “Estado refém” e anunciou uma série de vídeos para apresentar sua leitura sobre a crise na segurança e suas propostas para enfrentá-la.
“Cúpula do governo ligada a facções criminosas. Secretaria de Segurança que não comanda as polícias. O maior orçamento de segurança do Brasil e uma população inteira que perdeu o direito de ir e vir”, afirmou Paes. O discurso ocorre em meio a uma disputa eleitoral na qual a segurança aparece como um dos principais temas. Em levantamento recente da Quaest sobre debates eleitorais, o assunto ocupou 36% do tempo dedicado à discussão entre os candidatos ao governo do Rio.
O principal alvo político do vídeo foi o grupo ligado ao ex-governador Cláudio Castro e ao ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar. Paes citou a renúncia do governador, investigações e prisões de políticos e afirmou que o grupo teria sido “omisso e incompetente” na segurança e, segundo sua acusação, teria se associado ao crime organizado. A fala é uma acusação política de Paes, não uma constatação judicial geral sobre todo o grupo.
Paes também mirou diretamente o atual presidente da Alerj, Douglas Ruas, que disputa o Governo do Estado pelo PL. O prefeito afirmou que o grupo tenta “retomar o poder” por meio de Ruas, apontado por ele como escolhido por Castro e Bacellar.
No diagnóstico apresentado, Paes citou números de criminalidade para reforçar a ideia de que o problema continua grave. Na violência contra a mulher, Paes afirmou que o Estado ultrapassou a marca de cem feminicídios.
Outro ponto explorado pelo candidato é a estrutura da segurança estadual. Paes critica o fato de a Secretaria de Estado de Segurança Pública não exercer comando direto sobre as polícias. A pasta foi recriada em 2024 justamente com a função de coordenar e integrar as ações das secretarias de Polícia Militar e Polícia Civil, que permaneceram como estruturas próprias.
Na prática, Paes disse defender uma mudança no modelo: mais autoridade e coordenação centralizada, menos influência política sobre as forças de segurança, metas regionais de redução de crimes, cobrança direta pelo governador e uma estrutura integrada de investigação preventiva e permanente.
O prefeito do Rio prometeu transformar essas ideias em uma série de episódios nas redes sociais. O primeiro capítulo já deixou claro o tom da campanha: em vez de esconder a disputa política, Paes decidiu colocar o dedo na ferida e transformar a crise da segurança pública em um dos principais campos de batalha pela sucessão estadual.
