‘Monstro’, ‘louco’: morte de cachorro a tiros revolta redes e provoca reação na Câmara

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Imagem - Reprodução de vídeo/Câmera de segurança

“Monstro”, “louco” e “cruel”. As palavras se multiplicaram nas redes sociais depois que imagens de um homem atirando pelo menos quatro vezes contra um cachorro na Tijuca, na Zona Norte do Rio, vieram a público. A morte de Batata, um vira-lata conhecido pelos moradores da região, provocou uma onda de indignação e já chegou à Câmara Municipal.

O vereador Luiz Ramos Filho, vice-presidente da Comissão de Defesa dos Animais, classificou o episódio como um “caso bárbaro” e uma “brutalidade gratuita” e cobrou punição rigorosa para o responsável pelos disparos.

Nas redes, a revolta foi ainda mais forte. Internautas chamaram o autor dos tiros de “monstro” e “louco” e questionaram como alguém capaz de reagir dessa maneira diante de um cachorro pode continuar circulando normalmente pelas ruas. Entre os comentários, uma cobrança ganhou força: “Se é louco, não pode estar solto”.

Quatro tiros antes mesmo de os cães se encostarem

As imagens das câmeras de segurança ajudam a explicar a revolta.

Batata aparece se aproximando do homem, que caminhava pela Rua Sabóia Lima com o próprio cachorro. Antes mesmo que os dois animais tivessem contato, o homem saca uma arma da cintura e dispara pelo menos quatro vezes.

O cachorro é atingido e cai no meio da rua.

O homem, então, simplesmente continua andando com o próprio cão. Não presta socorro, não retorna e sequer para para verificar o que aconteceu com Batata.

A cena rapidamente se espalhou pelas redes sociais e provocou indignação entre moradores e protetores de animais.

‘Foi tudo muito rápido’, diz tutora

A tutora de Batata, que pediu para não ser identificada, contou que o cachorro escapou de casa por volta das 15h45.

Segundo ela, tudo começou quando saiu de casa e percebeu que havia esquecido a carteira. Ao voltar para buscá-la, uma das cachorras escapou. Na tentativa de pegá-la, Batata também saiu.

“Foi tudo muito rápido. Eu estava saindo de casa quando percebi que esquecera a carteira. Voltei pra buscar e, ao abrir a porta, a Doguinha, minha outra cachorrinha, escapou. Quando tentei pegá-la, o Batata, que tem muito ciúme dela, escapou também. Quando olhei, tudo aconteceu”, relatou.

A tutora afirmou que agora teme encontrar novamente o homem que atirou no animal.

“Sou tutora de abrigos. Nunca vi nada parecido. Uma trapalhada na hora de sair de casa não pode terminar dessa maneira”, escreveu nas redes sociais.

‘Batata era um brincalhão’

A revolta também tomou conta da vizinhança.

“Batata era um brincalhão. Todos aqui o conheciam”, afirmou Davi Silva, morador da região.

João Fernandes, outro morador, questionou a necessidade de uma reação tão extrema.

“Se ele estivesse mesmo atacando, bastava um pisão forte no chão ou, no máximo, um tiro para o alto”, disse.

O músico Gilberto Pimentel, que também vive no entorno, afirmou que situações envolvendo cães soltos são comuns e que, na sua avaliação, poderiam ser resolvidas sem violência.

“Sabe-se lá por qual motivo, o Batata, que jamais agiu assim antes, começou a latir defendendo o território. Qualquer dono de cachorro já passou por uma situação parecida. Geralmente, você vira e vai embora. Não se sai dando quatro tiros assim”, afirmou.

Caso chega à Câmara

A indignação não ficou restrita às redes sociais.

Luiz Ramos Filho, vice-presidente da Comissão de Defesa dos Animais da Câmara Municipal do Rio, repudiou o episódio e classificou o caso como uma “brutalidade gratuita”.

O vereador cobrou punição rigorosa e lembrou que a legislação brasileira prevê pena de dois a cinco anos de prisão para maus-tratos contra cães e gatos que resultem na morte do animal.

A Comissão de Defesa dos Animais informou ainda que vai acompanhar as investigações da Polícia Civil para cobrar a identificação e a responsabilização do autor dos disparos.

Polícia investiga

Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que agentes do 6º BPM (Tijuca) foram acionados no sábado para uma ocorrência envolvendo suspeita de maus-tratos a animais na Rua Sabóia Lima.

Segundo a PM, os policiais foram informados de que um cachorro havia sido morto por disparos de arma de fogo. Naquele momento, não havia informações sobre a motivação.

A ocorrência foi encaminhada para a 19ª DP (Tijuca), que investiga o caso.

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