Tolerância zero contra ladrões: como Londres virou o jogo nos roubos de celulares

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Foto - Reprodução

Durante anos, Londres viu o roubo de celulares disparar enquanto a resposta das autoridades era criticada como insuficiente. O que parecia apenas crime de rua virou uma indústria internacional, com aparelhos roubados sendo enviados para a China.

A Metropolitan Police (Met) mudou a estratégia e passou a atacar toda a cadeia criminosa.

Drones, reconhecimento facial, policiais à paisana e bicicletas elétricas de alta potência entraram na operação para perseguir criminosos que usam bikes e scooters para atacar vítimas e fugir em segundos. Clique para ver o vídeo.

Em uma operação de quatro semanas, foram 248 prisões e 770 celulares roubados recuperados.

Em Westminster, uma das regiões mais afetadas, os furtos de celulares caíram cerca de 50%.

Celulares europeus valem ouro na China. Saiba o motivo

Antes do endurecimento do combate a capital britânica chegou a registrar mais de 117 mil celulares roubados em um único ano. A virada aconteceu quando a Metropolitan Police descobriu que uma rede teria enviado até 40 mil aparelhos para a China entre 2024 e 2025.

E há um detalhe que ajuda a explicar o negócio: iPhones e outros aparelhos destinados ao mercado ocidental podem valer mais na China porque oferecem acesso a serviços, aplicativos e funcionalidades globais que sofrem censura e outras restrições nas versões destinadas ao mercado chinês.

Resultado: o celular arrancado da mão de um turista em Londres pode atravessar continentes e virar mercadoria de alto valor no mercado paralelo.

O ladrão vê £300. A máfia vê muito mais

O esquema funciona como uma linha de produção: um rouba, outro recebe, outro transporta e uma rede internacional distribui.

Não era mais apenas ladrão de celular. Era logística internacional.

Até adolescentes foram recrutados pelas redes sociais para executar os roubos. Em uma operação, a polícia recuperou mais de mil celulares e cerca de 200 laptops que seriam enviados para fora do Reino Unido.

O roubo não termina quando o ladrão foge

Como os iPhones modernos são difíceis de desbloquear e revender, criminosos passaram a tentar pressionar as vítimas para retirar os aparelhos de suas contas.

A ideia é simples: recuperar o valor comercial do celular.

Por isso, a Met também foi atrás da Apple e passou a trabalhar para dificultar a reativação e revenda de aparelhos roubados.

A meta é transformar o celular furtado em um “tijolo” eletrônico.

Sem mercado, não há roubo.

 

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