Por Jefferson Lemos
A grande estreia da disputa presidencial acontece neste sábado (29). Na televisão, os blocos nacionais serão exibidos às 13h e às 20h30. E o primeiro round na TV promete ser pesado: Lula e Flávio Bolsonaro concentram 78,8% do tempo destinado à propaganda presidencial.
Lula terá 5 minutos e 31 segundos por bloco; Flávio, 4 minutos e 20 segundos. Ronaldo Caiado terá 2 minutos e 2 segundos e Augusto Cury, apenas 35 segundos. Os demais candidatos não terão espaço nos blocos nacionais.
Ou seja: muitos disputam a Presidência, mas a televisão já escolheu seus protagonistas.
Lula vai para o ataque
A campanha de Lula chega à estreia com uma estratégia clara: comparar biografias, defender o governo e desconstruir Flávio Bolsonaro.
O PT preparou ataques envolvendo acusações. Uma das primeiras inserções já exibidas nesta sexta-feira apresentou Flávio sob estética de “ficha policial”.
Ao mesmo tempo, Lula vai explorar sua trajetória, resultados do governo e propostas como o Pé-de-Meia e o fim da escala 6×1.
A mensagem é direta: experiência contra a alternativa bolsonarista.
Flávio mira o bolso e a segurança
Flávio escolheu outra trincheira.
Sua campanha vai explorar custo de vida, preços dos alimentos, endividamento das famílias e dificuldades enfrentadas por empresas e pequenos comerciantes. Parte das gravações foi feita em supermercados e estabelecimentos comerciais.
A pergunta por trás da estratégia é simples:
‘Sua vida melhorou?’
Segurança pública será outro eixo central. Ao mesmo tempo, Flávio tenta construir uma imagem própria, destacando a esposa Fernanda e as filhas para ampliar sua conexão com o eleitorado feminino.
É uma tentativa de carregar o sobrenome Bolsonaro, mas apresentar um candidato que vá além do pai.
A terceira via entra espremida
Ronaldo Caiado terá 2 minutos e 2 segundos por bloco e tentará usar o tempo para apresentar sua trajetória e resultados em Goiás, com segurança pública entre as principais bandeiras.
Augusto Cury terá apenas 35 segundos.
Na prática, a terceira via começa a campanha com um problema enorme: furar uma polarização que já domina a televisão antes mesmo do primeiro programa presidencial ir ao ar.
A guerra já começou
A escolha dos temas mostra que as campanhas não estão jogando no mesmo campo.
Lula quer falar de trajetória, governo e realizações — e atacar Flávio.
Flávio quer falar de bolso, segurança e insatisfação — e transformar o desgaste do governo em voto.
Não por acaso, as pesquisas mostram uma disputa mais apertada. Lula continua na frente, mas Flávio reduziu a distância em levantamentos recentes.
Agora, a partir deste sábado, essas narrativas terão milhões de espectadores.
A eleição ainda será disputada nas redes, nos debates e nas ruas.
Mas às 13h e às 20h30, a guerra presidencial entra oficialmente na televisão.
E, quando a propaganda acabar, o eleitor já terá começado a decidir em quem acredita e quem rejeita.
- Jefferson Lemos é jornalista e comentarista político
