A conta do cafezinho em Paraty está chamando atenção.
Uma ata de registro de preços da Prefeitura, publicada no Diário Oficial em 1º de setembro, prevê R$ 386.085,09 para compra de alimentos destinados à assistência social. O detalhe é que R$ 235.300,00 — nada menos que 60,94% do total — estão reservados apenas para café moído tradicional.
Ou seja: de cada R$ 100 da verba, cerca de R$ 61 vão para o cafezinho. Para carne, feijão, verduras, frutas, arroz e laticínios, sobra menos de 40%.
E tem mais: a mesma ata prevê cápsulas para máquinas Dolce Gusto, com sabores como Latte Macchiato, Machaccino Canela e Chococcino Caramelo.
Enquanto isso, os valores destinados a itens básicos são bem menores: R$ 10,9 mil para carne bovina, R$ 4,7 mil para feijão preto e pouco mais de R$ 1 mil para cheiro-verde.
A disparidade não prova, por si só, irregularidade. Mas levanta uma pergunta legítima: qual foi a justificativa para concentrar mais de 60% da verba no café?
A contratação vale por 12 meses e atende estruturas como CRAS, CREAS, Casa Abrigo Maestro Eduardo e o programa Criança Feliz.
Na Câmara de Paraty já estão fazendo cálculo para descobrir quem fez essa conta.
Porque dinheiro público não é dinheiro de cafezinho. E essa conta merece ser passada a limpo.

