A posição brasileira diante da guerra na Ucrânia recebeu uma crítica pesada de quem conhece o conflito de perto. Oleksandra Matviichuk, vencedora do Nobel da Paz em 2022, afirmou que a postura de neutralidade adotada pelo Brasil acaba, na prática, favorecendo a Rússia.
Em entrevista à CNN Brasil publicada nesta quinta (3), a ativista foi direta: “Não se pode ser neutro diante da brutal violação do direito internacional. Não se pode ser neutro diante do sofrimento humano. Não é neutralidade, é indiferença”.
Para Matviichuk, o Brasil tem condições de fazer muito mais, principalmente na área humanitária. Ela citou como exemplo a possibilidade de Brasília pressionar Moscou pela devolução de crianças ucranianas que, segundo denúncias internacionais, foram retiradas de suas famílias e levadas para a Rússia.
A crítica não significa que a Nobel espere que o governo brasileiro passe a enviar ajuda militar à Ucrânia. O ponto, segundo ela, é outro: usar o peso diplomático do Brasil para pressionar Vladimir Putin e não tratar como normal uma guerra marcada por denúncias de graves violações de direitos humanos.
A declaração coloca um incômodo sobre a mesa: até que ponto a defesa brasileira da “neutralidade” é, de fato, neutralidade?
Para a Nobel da Paz, quando vidas humanas estão em jogo, ficar distante do conflito não basta. “O Brasil pode fazer muito para salvar vidas humanas”, afirmou.
O Itamaraty, por sua vez, afirma que “em várias ocasiões autoridades ucranianas reconheceram a disposição do Brasil em contribuir para a paz, e essa disposição continua a existir”.
O fato é que o recado é duro — e direcionado a Brasília: não basta falar em paz. É preciso demonstrar, segundo ela, disposição para enfrentar quem impede que ela aconteça.
