Mais de 2 mil e-mails. Fora Instagram, WhatsApp e outras redes sociais. Antes mesmo de a primeira gota cair neste sábado (5), fãs do Rock in Rio já faziam pressão para que o Cacique Cobra Coral tivesse uma conversa particular com São Pedro e desse um jeito no tempo.
Só esqueceram de um detalhe: o Cacique não estava escalado para o festival.
Segundo Osmar Santos, porta-voz da Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC), o Rock in Rio não procurou a entidade para a edição de 2026. Portanto, nada de operação especial para segurar a chuva na Cidade do Rock.
E o Cacique tinha coisa mais urgente para fazer. A fundação está concentrada em São Paulo, em uma operação relacionada ao Sistema Cantareira, que está com menos de 40% de água.
Traduzindo para o espírito do festival: enquanto o público do Rock in Rio queria mandar a água embora, o Cacique estava tentando levar água para São Paulo.
Resultado? A chuva chegou sem credencial, sem ingresso e sem enfrentar fila.
Quem pagou o preço foi o público. A galera do metal, que deveria desfilar de camiseta preta para ver Sepultura, Bad Omens e Avenged Sevenfold, precisou trocar o visual pelo plástico.
E quem agradeceu foi o comércio informal: capa de chuva chegou a R$ 25.
O Cacique não veio. São Pedro veio.
A relação entre a Fundação Cacique Cobra Coral e o Rock in Rio começou nos anos 2000 e teve idas e vindas. Algumas edições contaram com parceria; outras, não.
Em agosto, a Fundação renovou por 25 anos um acordo de cooperação com a Prefeitura do Rio para assistência técnica meteorológica e prevenção de riscos climáticos.
Mas, aparentemente, o contrato da Prefeitura não inclui um passe livre para a Cidade do Rock.
Ficou assim: a Prefeitura tem o Cacique. O Rock in Rio não tem. E São Pedro tinha a agenda livre.
No fim, não faltou previsão do tempo.
Faltou combinar com o Cacique.
Ou, pelo jeito, com São Pedro.
