Tombo do Ocidente e salto da China: IA faz o Brasil parecer melhor do que é na educação

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Se você viu por aí que o Brasil “encolheu a distância” para o primeiro mundo no Pisa 2025, cuidado com a ilusão. Nós não subimos o degrau; os países mais ricos do Ocidente é que despencaram no pior tombo escolar de sua história por causa do abuso de Inteligência Artificial e telas. Enquanto isso, a China ignorou a crise e disparou no topo global.

A frase “o Brasil reduziu a diferença histórica na educação para as nações desenvolvidas” soa como música para os ouvidos. Dá a entender que anos de políticas públicas finalmente começaram a fazer efeito. 

Mas os dados reais do Pisa 2025 (o maior exame de educação do planeta, organizado pela OCDE) divulgados nesta terça-feira (8) revelam uma realidade muito mais indigesta: a aproximação aconteceu por baixo.

O Brasil não teve mérito próprio de evolução. O país segue estagnado exatamente no mesmo patamar baixo de anos anteriores. 

O verdadeiro fenômeno de 2025 foi o colapso cognitivo das nações mais ricas do Ocidente, que registraram o pior desempenho escolar da história do exame. O culpado? O uso descontrolado e sem filtro das novas tecnologias.

O tombo histórico dos ricos ocidentais

O relatório da OCDE chocou os especialistas ao provar que ter cofres cheios e escolas hipertecnológicas não está mais se revertendo em aprendizado.

Em Leitura, o recuo ocidental foi dramático. A média global da OCDE despencou 25 pontos entre 2018 e 2025. Para se ter uma ideia do estrago, perder 20 pontos no Pisa equivale a perder um ano inteiro de escolaridade. Olha o tamanho do tombo individual de alguns gigantes europeus:

  • Dinamarca: -29 pontos
  • Noruega: -24 pontos
  • Espanha: -23 pontos
  • Suécia: -21 pontos

Em Matemática, a média dos países ricos derreteu 22 pontos na última década. O resultado disso? Quase um terço (29%) dos adolescentes que vivem no primeiro mundo entraram na categoria de “baixo desempenho” simultâneo nas disciplinas avaliadas.

A muleta digital: Como a IA sabotou o Ocidente

Os analistas da OCDE apontam diretamente para o elefante na sala de aula: as novas tecnologias e a Inteligência Artificial (IA) usadas como atalho.

O acesso massivo e sem supervisão a ferramentas digitais minou a capacidade de foco dos jovens. Acostumados com a velocidade das redes sociais, os alunos passaram a adotar uma “leitura apressada”. Diante dos textos longos e problemas complexos do Pisa, eles desistem rápido ou respondem de qualquer jeito.

Mas o grande vilão recente atende por um nome conhecido: os chatbots de IA. O Pisa 2025 trouxe um dado assustador: os estudantes que usam inteligência artificial como “atalho” — ou seja, para redigir redações prontas, fazer resumos automatizados e resolver equações sem raciocinar por conta própria — tiraram notas cerca de 20 pontos mais baixas em ciências. A tecnologia virou uma substituta do cérebro, não um suporte.

Brasil: Desempenho poderia ter sido pior

Enquanto a média da OCDE despencava, as notas do Brasil em 2025 ficaram em 408 pontos em Leitura, 377 em Matemática e 409 em Ciências. Ou seja, flutuaram muito pouco dentro da margem estatística das últimas edições. O país não registrou nenhuma curva real de evolução. Continuamos muito abaixo do mundo desenvolvido (onde as médias giram na casa dos 460 a 480 pontos), mas como o topo caiu de elevador, a distância diminuiu. 

Curiosamente, o Brasil ficou “protegido” do pior cenário por um fator inesperado: a rigidez contra as telas. O Brasil virou destaque no relatório por sua postura contra os celulares. Graças ao avanço de leis restritivas, 81% dos alunos brasileiros avaliados estudam em escolas onde o celular é proibido em sala de aula — enquanto nos países ricos da OCDE, esse bloqueio atinge apenas 49% dos estudantes.

O contra-ataque da China: Domínio absoluto e IA inteligente

Se o Ocidente colapsou e o Brasil estagnou, a China humilhou o resto do mundo. Enquanto as potências americanas e europeias culpam a tecnologia pelo seu declínio, o bloco das províncias chinesas participantes (Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang) deu um show de resiliência e subiu para o topo absoluto do planeta.

A China simplesmente dominou o Pisa 2025:

  • 1º lugar do mundo em Ciências: Alcançou impressionantes 597 pontos (abrindo 37 pontos de vantagem contra o segundo colocado, Singapura).
  • 1º lugar do mundo em Matemática: Cravou 612 pontos, deixando o Ocidente comendo poeira.
  • 2º lugar do mundo em Leitura: Conseguiu 527 pontos, resistindo bravamente à queda global que afundou a Europa.

O segredo dos chineses? O relatório da OCDE destaca que o país conseguiu o equilíbrio perfeito. Eles integraram computadores e ferramentas de IA de ponta na rotina escolar, mas com metodologias rígidas que exigem o pensamento crítico. Na China, a IA é usada para aprofundar o conhecimento e desafiar o aluno, nunca como uma muleta para poupar o esforço de pensar.

No fim das contas, a lição do Pisa 2025 é clara: enfiar tecnologia nas escolas sem ensinar a usá-la de forma correta é a receita perfeita para a ignorância. 

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