IA virou cabo eleitoral? Justiça está de olho no que acontece no seu celular

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Foto - Magnific

A eleição de 2026 ganhou um novo cabo eleitoral — e ele não sobe em palanque, não distribui santinho e pode falar com cada eleitor de um jeito diferente: a inteligência artificial.

O Ministério Público Eleitoral instaurou neste mês procedimento para investigar possíveis violações das regras e notificou empresas responsáveis por ChatGPT, Gemini, Grok, DeepSeek, Claude e Perplexity. A Procuradoria Geral Eleitoral (PGE) também pediu ao TSE informações sobre as reuniões mantidas com as plataformas.

O alerta não é apenas uma hipótese. Em 11 de maio, o ITS Rio divulgou o estudo “Boca de IA”, que analisou ChatGPT, Gemini, Meta AI, DeepSeek, Grok, Perplexity e Claude. Em seis das sete plataformas foi identificado algum grau de ranqueamento ou priorização de candidatos — prática proibida pelo TSE.

Outro levantamento, da organização Ekō, testou ChatGPT, Gemini, Grok e Meta AI entre 24 de junho e 1º de julho, fazendo as mesmas 25 perguntas para perfis conservador, progressista e neutro. O estudo, divulgado em 18 de agosto, encontrou recomendações de voto e respostas diferentes conforme o perfil do usuário.

A regra eleitoral é clara: sistemas de IA não podem recomendar, sugerir, priorizar ou favorecer candidaturas. Mas existe um detalhe que transforma a fiscalização em um problemão: a conversa acontece em ambiente privado.

Quando o eleitor pergunta “em quem devo votar?” ou “qual candidato é melhor para a economia?”, a resposta aparece em tempo real, diretamente na tela. Não é um post público que pode ser localizado, denunciado e removido. É uma interação individual.

E o problema já chegou ao Ministério Público Eleitoral. A Procuradoria-Geral Eleitoral instaurou neste mês procedimento para investigar possíveis violações das regras e notificou empresas responsáveis por ChatGPT, Gemini, Grok, DeepSeek, Claude e Perplexity. A PGE também pediu ao TSE informações sobre as reuniões mantidas com as plataformas.

Ou seja: a eleição ainda nem chegou à reta final, mas a disputa pelo eleitor já entrou dentro do celular.

Como fiscalizar um cabo eleitoral que não está no palanque, não publica nada e conversa a sós com cada eleitor?

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