Eduardo Paes (PSD) entrou de vez na guerra do discurso sobre segurança pública no Rio — mas escolheu um caminho diferente do defendido por setores da direita. Durante sabatina nesta sexta-feira (11), o candidato ao Governo do Estado rejeitou classificar Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) como organizações terroristas e chamou de “baboseira” a proposta de Donald Trump de enquadrar facções brasileiras como narcoterroristas.
Ao mesmo tempo em que rejeitou o rótulo, Paes prometeu endurecer o combate ao crime e disparou: quer “tirar o crime de dentro do Palácio Guanabara”.
“Essas baboseiras de Trump não enchem a barriga de ninguém, não resolvem o transporte, não melhoram o Ideb”, afirmou.
A principal aposta de Paes na segurança é recriar a Secretaria de Estado de Segurança Pública e colocar as polícias Civil e Militar sob uma coordenação integrada. O candidato também admitiu reunir a área penitenciária na mesma estrutura.
Paes, no entanto, defendeu a redução da maioridade penal. Para ele, quem tem idade para votar também precisa assumir responsabilidade por seus atos.
Recado direto para Ruas
A sabatina também virou palco de ataque eleitoral. Paes tentou se desvincular das acusações de proximidade com o ex-governador Sérgio Cabral e afirmou que nunca foi funcionário dele.
Na outra ponta, mirou Douglas Ruas (PL), seu principal adversário na corrida pelo Guanabara, associando o candidato à gestão de Cláudio Castro.
Jair Bolsonaro também entrou na mira. Paes afirmou que o ex-presidente teve “dedo podre” nas escolhas políticas feitas para o Rio.
E o transporte?
Paes também colocou o transporte no pacote eleitoral. Promete iniciar obras, reestruturar os trens seguindo uma lógica semelhante à intervenção feita no BRT e acabar com o modelo atual do Riocard, abrindo uma nova licitação.
Também defendeu a redução das tarifas dos ônibus intermunicipais.
No fim das contas, a mensagem de Paes foi clara: ele quer disputar com Ruas o eleitor preocupado com a violência, mas sem comprar a tese de que CV e TCP devam ser tratados como organizações terroristas. E essa diferença promete virar munição pesada na campanha.
