Promessa de carinho, cenas de violência.
O que era vendido como cuidado e bem-estar para pets virou caso de polícia. Os donos da Pituchos da Lu, creche e hospedagem para cães e gatos em Botafogo, foram indiciados pela Polícia Civil por suspeita de maus-tratos contra animais.
A investigação da 10ª DP começou após um ex-funcionário entregar vídeos e mensagens à polícia. As imagens mostram, segundo a investigação, cães levando tapas e chutes, sendo puxados e mantidos presos por correntes curtas. Há também registros de animais confinados em um espaço semelhante a um banheiro, além de água parada com larvas.
As mensagens também são fortes. Em uma conversa sobre um husky chamado Rio, aparece a frase: “Se morrer, morreu”. Em outra, a orientação seria: “Dá uma nele pelo amor de Deus”. Há ainda ordem para colocar um cão no corredor e “bater com a revista”.
Segundo a polícia, os animais também eram colocados em uma espécie de “solitária”, onde alguns ficariam sem espaço adequado, água ou comida. Tutores relataram cães voltando para casa com muita sede, ferimentos e mudanças de comportamento.
Os donos, a veterinária Luana Dames e Pedro Aires Torres, foram chamados duas vezes para depor, mas não compareceram. Com o fim do inquérito, foram indiciados. O caso agora será analisado pelo Ministério Público.
A Pituchos da Lu nega as acusações e afirma que os vídeos foram editados ou retirados de contexto. A empresa diz ainda que as contenções ocorriam apenas por períodos curtos, durante a alimentação, e afirma já ter atendido mais de 1.100 cães e 200 gatos.
De creche para pets a caso de polícia: agora, o Ministério Público vai analisar o que acontecia por trás das portas do estabelecimento.
