‘Vou acabar com a violência em seis meses’, prometeu Moreira franco em 1986

Jefferson Lemos
Foto - IA

Em 1986, Moreira Franco venceu a eleição para o governo do Rio de Janeiro sustentado por uma promessa que entrou para a história: “Vou acabar com a violência em seis meses”. Quarenta anos se passaram, o slogan virou piada trágica e a pergunta que fica é uma só: por que, após quatro décadas e sucessivos governos — alguns bons, outros nem tanto —, a insegurança só aumentou?

A resposta está no abismo entre o marketing político e a realidade. A frase de Moreira foi um “exagero”, como ele mesmo admitiu anos depois, mas o método virou regra. Passamos 40 anos trocando governadores, partidos e siglas, enquanto o crime se profissionalizou. O que era narcotráfico virou poder paralelo: facções e milícias lotearam o mapa, dominaram serviços básicos e fincaram raízes na política.

Enquanto a cena política se divide entre a repressão de fachada e o discurso acadêmico desconectado das ruas, a violência aumentou porque o nó é estrutural:

O Congresso construiu um ecossistema legal frouxo, onde a impunidade é a regra e as leis funcionam como portas giratórias para reincidentes.

“No Brasil, a cadeia tem porta dupla — por onde o criminoso entra, ele sai no dia seguinte.”, resumiu um ex-chefe de política.

A população passou a se endividar para blindar carros, mudar rotas diárias e pagar taxas extorsivas ao poder paralelo apenas para sobreviver.

E nem assim escapa da violência. No último dia 16, o cirurgião vascular Harold Aranibar levou um tiro mesmo dentro de um carro blindado e agora só pensa em fugir do Rio com a família.

“O Rio de Janeiro se tornou uma bomba-relógio. Os bandidos saem para matar. Não é normal alguém ter que pensar em usar um carro blindado. É uma situação bizarra.”, desabafou.

E esse pesadelo não é exclusividade do Rio de Janeiro: de Norte a Sul, o crime organizado avançou, fincou raízes e colocou o medo no cotidiano de todo o país.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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