Até que ponto vale ‘fazer o diabo’ para ganhar uma eleição?

Jefferson Lemos
Foto - Reprodução

“Vamos fazer o diabo para ganhar no primeiro turno. Um segundo turno seria muito complicado.” A frase atribuída a Lula pelo jornalista Lauro Jardim resume a lógica do pragmatismo eleitoral: quando a permanência no poder está em jogo, os princípios parecem virar um detalhe.

A verdade, aliás, virou artigo de luxo nesta campanha. Em agosto, Lula afirmou que é possível ganhar uma eleição mentindo, mas não governar com mentiras. No mês seguinte, insistiu ao vivo na história falsa sobre Nossa Senhora Aparecida, mesmo depois de ser alertado. 

E o problema vai muito além das fake news. Na economia, o governo muda o discurso conforme o pleito se aproxima. Arrecadou com a taxação das apostas esportivas e agora quer proibir as bets. Bancou a chamada “taxa das blusinhas” e depois recuou. Manteve o Bolsa Família sem reajuste por anos e, na reta final, anuncia aumento e promete até canetas emagrecedoras no SUS. Tudo isso em meio a uma intensa articulação política que chama atenção pela liberação de bilhões em emendas parlamentares.

Na segurança pública, Lula agora promete acabar com a violência.  Mas esquece que seu grupo político esteve à frente do governo federal durante boa parte das últimas décadas vendo o avanço das facções criminosas que hoje transformaram as cidades do Nordeste nas mais violentas do Brasil.

Apesar do discurso republicano, Lula apoiou a permanência de um governador interino e sem voto no Rio de Janeiro. Em seu governo se instalou uma grave crise institucional em Brasília, sem precedentes desde a redemocratização.

Como resultado do vale-tudo,  o país sofre hoje com desequilíbrio fiscal, impostos elevados, juros altos e desconfiança nas instituições. E é aí que a pergunta do título ganha força.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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