PVAX já enfrenta questionamentos sobre armazenamento e distribuição de medicamentos em municípios fluminenses. Agora, vai transportar material biológico e documentos para a FeSaúde de Niterói
O Diário Oficial publica, a papelada passa e o dinheiro público entra na conta. Mas, quando o assunto é saúde, uma pergunta não pode ficar de fora: quem fiscaliza as empresas que recebem contratos milionários para atender à população?
Em Niterói, a FeSaúde homologou um pregão eletrônico que deu à PVAX Consultoria e Logística um contrato de R$ 2.007.950,40 para transportar material biológico humano, material laboratorial e documentos. O resultado foi publicado no Diário Oficial desta sexta-feira (16).
A empresa venceu o lote único com uma economia declarada de apenas 1,08% em relação ao orçamento inicial. Não há, por si só, irregularidade nisso. O problema é que o histórico da PVAX em outros municípios do estado levanta questionamentos que merecem atenção.
De Nova Iguaçu à Costa Verde, alertas se acumulam
Em Nova Iguaçu, o Ministério Público investiga uma contratação emergencial da empresa, no valor de R$ 5,3 milhões, para armazenar e distribuir medicamentos e insumos médicos. A apuração envolve, entre outros pontos, a justificativa para a contratação direta e a mudança da estrutura de armazenamento da rede municipal de saúde.
O caso chama atenção também pela mudança de endereço da operação: medicamentos que antes ficavam em um depósito municipal passaram a ser armazenados em um galpão da empresa no Barreto, em Niterói.
Na Costa Verde, o vereador Greg Duarte, de Angra dos Reis, denunciou contratos ligados à operação da farmácia municipal e à logística de medicamentos. O parlamentar também levantou suspeitas sobre as condições de armazenamento dos remédios e a falta de vistorias técnicas adequadas.
Já em Campos dos Goytacazes, publicações locais apontaram questionamentos sobre a operação da empresa, incluindo reclamações relacionadas à distribuição e à logística.
São situações distintas, em municípios diferentes, e que precisam ser analisadas à luz dos documentos e das apurações de cada caso. Mas o conjunto de questionamentos acende um sinal de alerta para quem administra dinheiro público.
A homologação do pregão não comprova qualquer irregularidade em Niterói. Mas o histórico de questionamentos envolvendo a empresa em outras cidades torna indispensável uma fiscalização rigorosa, com transparência sobre a execução do serviço e os pagamentos realizados.
Afinal, contrato milionário não é cheque em branco. E, quando a saúde da população está em jogo, fiscalizar não é favor: é obrigação. Com a palavra, a prefeitura. O espaço segue aberto para pronunciamento oficial.

