Meio/Ideia: Pacote de bondades de Lula não convence, e Flávio lidera entre jovens e trabalhadores de até três salários mínimos

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Foto - Montagem/Reprodução

Pesquisa Meio/Ideia mostra senador com 51,1% dos votos válidos contra 48,9% do presidente. Para analista, campanha petista distribuiu benesses, mudou a comunicação e mobilizou apoiadores, mas a avaliação do governo ficou praticamente no mesmo lugar

O pacote de bondades de Lula não parece estar produzindo o efeito eleitoral esperado. É o que indica a nova pesquisa Meio/Ideia, divulgada nesta quarta-feira (21), que coloca Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma simulação de segundo turno: 51,1% contra 48,9% dos votos válidos.

A diferença é de 2,2 pontos percentuais, dentro da margem de erro de 2,5 pontos. Ou seja, há empate técnico, mas o levantamento acende um sinal de alerta para o Planalto: mesmo com a ofensiva de medidas e benefícios na reta final da campanha, Lula não conseguiu melhorar de forma significativa a percepção dos eleitores sobre seu governo.

A leitura é de Mauricio Moura, fundador do IDEIA, que resumiu o cenário sem rodeios:

“A campanha de Lula no segundo turno ganhou energia, investiu num amplo pacote de benesses, reorganizou a comunicação e mobilizou apoiadores. O julgamento sobre o governo permaneceu praticamente no mesmo lugar.”

Traduzindo: teve pacote de bondades, reforço na comunicação e mobilização da militância, mas a estratégia ainda não se traduziu em uma melhora perceptível na avaliação do governo.

Flávio avança entre jovens e trabalhadores

Um dos dados mais delicados para o PT aparece justamente entre segmentos que tradicionalmente fizeram parte de sua base eleitoral. Entre os eleitores de 16 a 24 anos, Flávio Bolsonaro tem 56,2%, contra 39,5% de Lula. Na faixa de 35 a 44 anos, que reúne a maior faixa de trabalhadores, o senador também aparece na frente, com 52,1%, ante 43,2% do presidente.

O cenário também chama atenção entre trabalhadores de renda mais baixa. Na faixa de um a três salários mínimos, Flávio registra 51,6%, enquanto Lula soma 43,4%. Entre quem recebe de três a cinco salários mínimos, a vantagem do senador é ainda maior: 61,1% a 34,7%.

A situação muda entre os eleitores que ganham até um salário mínimo, grupo no qual Lula mantém uma dianteira expressiva: 61% contra 31,6% de Flávio. É o chamado efeito bolsa-família.

Os números mostram que a disputa não se resume à tradicional divisão entre ricos e pobres. Flávio aparece competitivo — e à frente em determinados recortes — entre trabalhadores e jovens, públicos nos quais o discurso social do PT historicamente encontrou terreno fértil.

Empreender virou sinônimo de melhorar de vida

Outro dado da pesquisa ajuda a entender o desafio enfrentado pelo presidente. Questionados sobre o significado de “melhorar de vida”, 43,3% dos entrevistados escolheram ter o próprio negócio ou trabalhar por conta própria, com mais autonomia sobre horários e ganhos. Já 32% apontaram o emprego com carteira assinada e direitos garantidos.

O cruzamento entre essa percepção e a intenção de voto é revelador: entre os que associam melhorar de vida a empreender, Flávio Bolsonaro tem 62,3%, contra 33,5% de Lula. Entre os que preferem a carteira assinada, o presidente lidera por 65,4% a 30,2%.

O diretor de Jornalismo do Meio, Pedro Doria, destacou justamente essa divisão:

“De todas as características, de todos os sonhos que os brasileiros cultivam, são dois que separam com nitidez quem prefere Lula ou Flávio. Querer carteira ou o negócio próprio, ser evangélico ou católico.”

O resultado sugere que a promessa de proteção social e emprego formal continua tendo força entre os eleitores de Lula, mas o desejo de autonomia financeira e de abrir o próprio negócio aparece associado a uma preferência muito maior por Flávio.

Avaliação do governo continua sendo um problema

A pesquisa também mostra que Lula enfrenta dificuldades para transformar a campanha em aprovação administrativa. Segundo o levantamento, 48,2% desaprovam a maneira como o presidente conduz o governo, enquanto 46,4% aprovam. Outros 5,4% não souberam responder.

Na avaliação de áreas essenciais, como economia, segurança, saúde e educação, os indicadores negativos também merecem atenção. A percepção sobre serviços e resultados concretos do governo pode pesar mais na decisão do eleitor do que anúncios de benefícios e promessas de campanha.

O desafio do Planalto, portanto, não é apenas convencer o eleitor de que novas medidas podem melhorar sua vida. É demonstrar que o governo já está entregando resultados capazes de mudar a avaliação de quem enfrenta dificuldades no cotidiano.

Antipetismo empurra votos para Flávio

A migração de eleitores que votaram em candidatos de terceira via no primeiro turno também ajuda a explicar a disputa apertada. Cila Schulman, CEO do IDEIA, avaliou que o movimento começou antes mesmo da segunda etapa da campanha:

“O antipetismo de chegada já carregou para as urnas do primeiro turno uma parcela significativa dos votos da terceira via em favor de Flávio Bolsonaro.”

O levantamento ouviu 1.500 eleitores por telefone entre os dias 15 e 19 de outubro, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,5 pontos percentuais. A pesquisa está registrada no TSE sob o protocolo BR-08251/2026-BRASIL.

A mensagem dos números é clara: Lula ampliou a mobilização e apostou em benefícios para conquistar votos, mas não conseguiu virar o jogo. Com Flávio na frente numericamente e com vantagem entre jovens e trabalhadores de diversas faixas de renda, a eleição segue aberta — e o pacote de bondades, pelo menos até agora, não resolveu o problema do presidente.

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