Globalização em crise? Mais de 33 países mandam população estocar comida e água

Jefferson Lemos
Foto - John Cameron/Unsplash

O mundo que prometeu integração, prosperidade e abastecimento sem fronteiras agora se prepara para o risco de ficar sem o básico. Guerras, tensões geopolíticas, ataques cibernéticos e crises climáticas acendem o alerta

Depois de décadas vendendo a globalização como sinônimo de segurança e prosperidade, governos fazem um alerta que parece coisa de tempos de guerra: preparem suas reservas de comida e água!

Mais de 33 países estão orientando a população a manter estoques de emergência em casa. O temor é que conflitos, ataques cibernéticos ou catástrofes naturais interrompam serviços essenciais e deixem milhões de pessoas sem acesso a produtos básicos.

No Reino Unido, a recomendação é manter suprimentos para pelo menos 72 horas. Na França, o prazo também é de três dias. Noruega e Suécia orientam estoques para até sete dias, enquanto na Alemanha a preparação pode chegar a dez dias. No Japão, a preocupação inclui terremotos e tufões.

A conta da globalização começa a chegar?

A pandemia já mostrou como o mundo pode parar quando as cadeias internacionais de produção e distribuição são interrompidas. Faltaram produtos, fábricas pararam e o abastecimento foi afetado em diversos países.

Agora, guerras ameaçam rotas comerciais, disputas entre potências elevam a tensão e ataques digitais podem comprometer energia, telecomunicações e abastecimento de água.

A contradição é evidente: o modelo que tornou os países cada vez mais dependentes uns dos outros agora leva governos a preparar suas populações para o dia em que essa rede de dependências falhar.

O que ter em casa?

As recomendações incluem água potável, alimentos enlatados e não perecíveis, medicamentos, lanternas, pilhas, rádio portátil, carregadores, dinheiro em espécie e material de primeiros socorros.

Não significa que uma guerra mundial ou um desabastecimento sejam iminentes. Mas o recado é claro: governos já não tratam a estabilidade dos serviços essenciais como algo garantido.

O mundo que apostou na integração global agora ensina seus cidadãos a se preparar para sobreviver sem ela. Afinal, o que está acontecendo com a segurança do mundo globalizado?

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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