Especialista alerta que modelo em discussão no Congresso pode concentrar decisões nas mãos dos presidentes das legendas e tornar a entrada de novos políticos ainda mais difícil
O eleitor pode até votar, mas quem terá cada vez mais poder para decidir quem chega ao Congresso? Essa é a preocupação levantada pelo especialista João Henrique Hummel sobre a proposta de implantação do voto distrital misto no Brasil, defendida por boa parte da base do governo Lula e do Centrão.
Em entrevista à CNN Brasil, Hummel, diretor-executivo da Action Consultoria, afirmou que o novo sistema pode fortalecer os chamados caciques partidários, concentrando nas mãos dos presidentes das legendas o controle sobre candidaturas, diretórios e recursos eleitorais.
“Cada dia mais forte a presença do líder do partido, que vai ter o caixa e o controle dos diretórios nacionais”, alertou o especialista.
Pelo modelo em discussão, metade dos parlamentares seria eleita pelo voto direto nos distritos, enquanto a outra metade sairia de listas previamente definidas pelos partidos. É justamente nesse segundo mecanismo que está o alerta: as cúpulas partidárias ganhariam influência sobre quem terá chances de conquistar uma cadeira.
Hummel também avalia que a mudança pode encarecer a entrada de novos nomes na política e aumentar a dependência das lideranças.
“Com o voto distrital e os diretórios estaduais não sendo definitivos e não eleitorais, aumenta mais ainda o poder central”, afirmou.
O especialista aponta ainda que o financiamento público, por meio do fundo eleitoral e do fundo partidário, amplia o poder de quem controla as estruturas nacionais das siglas. Sobre o movimento das lideranças para concentrar ainda mais influência, foi direto: “Eles querem se fortalecer”.
No fim das contas, a discussão vai muito além da forma de votar: está em jogo quem terá o poder de escolher os candidatos e controlar os caminhos para chegar ao Congresso.
