Enquanto a sensação de insegurança e o poder das facções criminosas continuam avançando a passos largos pelo território nacional, o Brasil acabou ficando de fora de uma das maiores e mais robustas operações internacionais de combate ao narcotráfico já articuladas na região.
A confirmação veio nesta semana, quando o General Francis L. Donovan, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos (Southcom), anunciou a criação oficial da Joint Task Force Western Hemisphere (Força-Tarefa Conjunta do Hemisfério Ocidental). A iniciativa reúne forças armadas e de inteligência de 18 países parceiros — incluindo vizinhos estratégicos como Argentina, Colômbia, Peru e Paraguai — para aplicar “pressão sistêmica total” e exterminar redes criminosas no continente. O Brasil, no entanto, é a ausência mais marcante do bloco.

A exclusão é o capítulo mais recente de um imbróglio diplomático que esquentou no meio do ano. Em 28 de maio de 2026, o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, oficializou a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como “Terroristas Globais” e “Organizações Terroristas Estrangeiras” (FTOs), medida que entrou em vigor no dia 5 de junho de 2026. Mas o governo brasileiro argumenta que as facções nacionais têm motivações estritamente econômicas e que enquadrá-las como “terroristas” viola princípios do direito internacional.

Embora o Ministério da Defesa mantenha militares brasileiros nos exercícios multinacionais do Panamax 26 (focados no Canal do Panamá), o isolamento na força-tarefa antitráfico expõe um impasse crítico. Enquanto Brasília e Washington travam essa disputa de narrativas nos bastidores diplomáticos, a população brasileira segue enfrentando o impacto real do avanço do crime nas ruas, levantando o questionamento: o país pode se dar ao luxo de ficar de fora da inteligência internacional contra o narcotráfico?
