Mais álcool, menos gasolina: governo quer ‘batizar’ ainda mais o combustível e especialistas alertam para risco

Jefferson Lemos
Foto - Marcelo Camargo/EBC

A gasolina brasileira pode ficar ainda mais “batizada”. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) vai analisar, na próxima semana, o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina, dos atuais 30% para 32%. Se a proposta for aprovada, o motorista abastecerá com ainda menos gasolina pura e mais álcool.

O anúncio representa um novo avanço do governo na política de ampliar a participação do etanol nos combustíveis. Enquanto o Planalto defende a medida alegando fortalecer os biocombustíveis e reduzir a dependência da gasolina, apesar do país ser um dos maiores produtores de petróleo do mundo, a decisão acendeu um alerta entre engenheiros e na própria indústria automobilística, que cobram mais estudos antes da mudança.

A Anfavea afirma que o aumento da mistura deve ser precedido por testes rigorosos para garantir que os motores suportem a nova composição. Especialistas alertam que veículos mais antigos e alguns modelos importados podem registrar aumento no consumo, corrosão de componentes, desgaste da bomba de combustível e dos bicos injetores, ressecamento de mangueiras, perda de potência, falhas de funcionamento e maior custo de manutenção.

Embora a indústria do etanol sustente que estudos apontam viabilidade técnica para a mistura de 32%, fabricantes e engenheiros defendem cautela. O receio é que uma mudança nacional seja implementada antes de haver segurança de que toda a frota brasileira suportará o novo combustível sem impactos para os consumidores.

Se o CNPE der sinal verde, o Brasil passará a ter uma das maiores concentrações de etanol na gasolina do mundo. Para muitos motoristas, a preocupação é que a gasolina fique cada vez menos gasolina e que, caso os riscos apontados pelos especialistas se confirmem, a conta chegue em forma de maior consumo, manutenção mais cara e possíveis problemas mecânicos que podem afetar até a segurança dos veículos.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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