Tarcísio apoia rótulo de terrorista para PCC e CV: ‘É de fato o que eles são’

Jefferson Lemos
Para Tarcísio, a medida abriria o caminho da cooperação para integrar inteligência, trazer recursos financeiros e tornar o combate ao crimeorganizado mais efetivo (Reprodução/CNN)

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), classificou como uma “oportunidade” a intenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de considerar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A declaração foi feita nesta quarta-feira (11), em coletiva após agenda oficial.

Segundo Tarcísio, caso o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) sejam oficialmente enquadrados como terroristas, o Brasil poderá ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado. “A partir do momento em que um governo como o dos Estados Unidos encara o PCC como organização terrorista, e é de fato o que eles são, fica mais fácil. Abre-se um caminho da cooperação para integrar inteligência, trazer recursos financeiros e tornar o combate mais efetivo”, afirmou.

O governo norte-americano ainda não oficializou a medida, mas Trump declarou na terça-feira (10) que as facções representam ameaça à segurança regional. Em nota à CNN Brasil, o Departamento de Estado reforçou que o PCC e o CV são “ameaças significativas” por seu envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional.

O que está em jogo

– Classificação como FTO: criminaliza apoio material às facções, bloqueia ativos e restringe vistos.
– Impacto internacional: fortalece cooperação global contra o narcotráfico.
– Posição do Brasil: receio de ingerência externa e ameaça à soberania.
– Clamor popular: parte da sociedade apoia medidas mais severas para enfraquecer financeiramente os grupos.

Resistência no Planalto

O governo Lula, por sua vez, demonstra cautela, ao alegar que a classificação poderia abrir espaço para intervenções militares dos EUA na região, o que seria interpretado como ameaça à soberania nacional.

No entanto, a história recente mostra que os EUA só avançam militarmente quando há evidências de que governos patrocinam ou se beneficiam diretamente do tráfico. Foi o caso da Venezuela, onde Nicolás Maduro foi acusado de chefiar o Cartel de los Soles e acabou capturado em uma operação americana. Quando não há essa ligação, Washington costuma cooperar com países em ações conjuntas contra o narcoterrorismo, como no caso do Paraguai.

O governo Lula insiste que o tema deve ser tratado em negociações diplomáticas, a fim de evitar repercussões políticas internas em ano eleitoral, diante da pressão popular por medidas mais duras contra o crime organizado, o que colocaria o presidente em uma posição delicada.

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Jefferson Lemos é jornalista e, antes de atuar no site Coisas da Política, trabalhou em veículos como O Fluminense, O Globo e O São Gonçalo. Contato: jeffersonlemos@coisasdapolitica.com.br
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